A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público (GAECO) e tornou ré a advogada e influenciadora Deolane Bezerra. Além dela, o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e membros de sua família também passaram à condição de réus.
Entre os crimes apurados pela Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público estão suspeitas de organização criminosa e lavagem de capitais.
Entenda acusação
A investigação, iniciada em 2019 após a apreensão de manuscritos no presídio de Presidente Venceslau, identificou a Transportadora Lado a Lado como instrumento de branqueamento de recursos da facção.
Segundo os autos, a empresa era utilizada para pulverizar depósitos e ocultar a origem ilícita de valores provenientes do tráfico de drogas.
Deolane é apontada como receptora de repasses fracionados da transportadora. Relatórios técnicos do Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) indicam que a influenciadora movimentou R$ 27 milhões de forma incompatível com sua capacidade econômica declarada.
A denúncia descreve o uso de sua projeção pública como camada de legalidade para integrar recursos da organização ao sistema financeiro;
Próximos passos judiciais
Com a decisão, os réus serão citados pessoalmente para apresentar resposta à acusação no prazo de 10 dias.
A CNN Brasil pediu um posicionamento para a defesa de Deolane, mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto.
Outro lado
A nota oficial emitida pela defesa de Marco Willians Herbas Camacho (Marcola) e sua família, assinada pelo advogado Bruno Ferullo, contesta a denúncia aceita pela Justiça.
Veja na íntegra
Bruno Ferullo, advogado de Marco Willians Herbas Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, vem a público informar que a denúncia oferecida em desfavor de seus constituintes no contexto da denominada Operação Vérnix, na qual se imputou a suposta prática dos delitos previstos no artigo 2.º da Lei n.º 12.850/2013 (organização criminosa) e no artigo 1.º da Lei n.º 9.613/1998 (lavagem de capitais), foi recebida pelo Juízo da 3ª Vara da Comarca de Presidente Venceslau no dia 16 de junho.
A Defesa reitera que Marco Willians Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior encontram-se custodiados em estabelecimento penal federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019, submetidos a severas restrições de contato e comunicação, o que, por si só, torna inviável qualquer participação nos fatos investigados e evidencia o equívoco da acusação.
Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho também refutam integralmente as imputações formuladas. A Defesa destaca que o mero vínculo familiar com os demais denunciados não pode ser confundido com participação criminosa, sendo inaceitável que a simples proximidade afetiva sirva de fundamento para uma acusação desta magnitude.
Quanto aos elementos de natureza patrimonial e financeira mencionados na denúncia, a Defesa esclarece que eles serão devidamente contextualizados no decorrer da instrução processual, oportunidade em que serão apresentados os esclarecimentos e as provas pertinentes acerca da origem e da regularidade das operações apontadas pela acusação.
A Defesa, diante da acusação apresentada, adotará todas as medidas processuais cabíveis para demonstrar a fragilidade da narrativa acusatória e a improcedência das imputações atribuídas aos seus constituintes, confiando que, ao final da regular instrução processual, a verdade dos fatos será devidamente reconhecida pelo Poder Judiciário.
CNN Brasil