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Justiça de SP nega transferência e prisão domiciliar a Deolane

Pedido feito pela defesa da advogada e influencer Deolane Bezerra em parceria com a OAB foi negado pela Justiça nessa quarta-feira (24/6)


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A Justiça de São Paulo negou à influencer e advogada Deolane Bezerra, após uma audiência virtual nessa quarta-feira (24/6), o pedido de transferência de presídio ou prisão domiciliar. Acusada de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), Deolane é ré pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Em pedido feito em conjunto com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a defesa da influencer solicitava sua transferência da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, onde ela está desde o dia 22 de maio, para a prisão domiciliar ou uma Sala de Estado-Maior. Segundo a entidade de classe, a instituição carcerária em que Deolane está "não se enquadra nos parâmetros definidos pela jurisprudência para caracterização de Sala de Estado-Maior".

O pedido, contudo, foi rejeitado pelo TJSP. O voto da relatora Renata William Rached Catelli que negou o habeas corpus a Deolane foi acompanhado por outros dois magistrados.

Em nota, a defesa de Deolane lamentou a decisão. "A defesa lamenta o resultado do julgamento ocorrido hoje no TJSP em que denegada a ordem de Habeas Corpus. Informa que sua cliente é inocente e seguirá utilizando todos os meios legais possíveis contra a prisão manifestamente desnecessária, excessiva e midiática".

Justiça aceita denúncia e advogada vira ré

Na última quinta-feira (18/6), a Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e tornou Deolane Bezerra ré. A denúncia foi oferecida pelo promotor Lincoln Gakiya no último dia 10/6.

Segundo documento obtido pelo Metrópoles, a advogada e influenciadora atuava como receptora de valores ilícitos provenientes da Transportadora Lado a Lado, operada em benefício do PCC. Relatórios revelaram movimentações incompatíveis com a capacidade econômica declarada por Deolane, no valor apontado de mais de R$ 27 milhões.

Entenda a cronologia da operação contra Deolane e o PCC

  • A investigação iniciou-se em 2019, quando policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
  • Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e a possíveis ataques contra agentes públicos.
  • A Polícia Civil notou a menção a uma "mulher da transportadora", que teria feito um levantamento de endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques do PCC, e chegou a uma transportadora, o que deu início à segunda etapa da investigação.
  • Batizada de Lado a Lado e deflagrada em 2021, a operação revelou a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC, além de movimentações financeiras incompatíveis e crescimento econômico sem lastro.
  • Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular com indícios de repasses financeiros a Deolane, além de estreitos vínculos da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.
  • Deolane, segundo os investigadores, passou a ocupar posição de destaque no caso, em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com o comando do PCC.
  • Os levantamentos apontaram recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição de bens de alto padrão, o que fundamentou o desdobramento desta quinta-feira.

Metrópoles


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