O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defende que seja feito um "esforço" para antecipar a fiscalização do Banco Central (BC) às fintechs. Na visão do auxiliar do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no passado houve descaso com a questão.
"O que a gente tem visto é muita fintech sendo utilizada pelo crime organizado para lavar dinheiro, muita fintech sendo utilizada para receber dinheiro de bet ilegal, e não estava no cronograma do Banco Central olhar para essas fintechs.(…) É preciso fazer esse esforço de antecipar quando essas fintechs vão estar debaixo da supervisão do Banco Central", afirmou Durigan.
No entendimento do ministro da Fazenda, as fintechs tiveram liberação sem o devido cuidado durante o mandato do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto.
"A pretexto de dizer que é liberal, que ia liberar a atuação do mercado, criou-se uma anarquia, com autorização para muitas fintechs operarem no país, mas, ao mesmo tempo, elas não ficaram supervisionadas", criticou.
Parte dessas instituições tem sido utilizada para movimentações financeiras escusas e lavagem de dinheiro. Parte do problema foi verificado na Operação Carbono Oculto. A investigação revelou que havia um esquema utilizando uma rede de empresas de fachada.
Ela operava por meio de novas instituições de pagamento, as fintechs, e também por fundos de investimentos, com o intuito de ocultar a movimentação de lucros ilícitos.
Outro problema identificado pela Fazenda é a utilização de fintechs para movimentar dinheiro de bets ilegais. Tanto é que o governo editou uma norma que determina que, a partir de agora, haverá o bloqueio preventivo de recursos financeiros de empresas ilegais de apostas. Houve a notificação de 37 fintechs até o momento.
metrópoles