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Golpes sobem 430% desde 2018 e lideram crimes contra o patrimônio

Brasil registrou 2,26 milhões de golpes em 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026


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Os registros de estelionato cresceram 429,8% no Brasil entre 2018, primeiro ano da série histórica do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, e 2025, consolidando os golpes como o principal crime contra o patrimônio do país. Segundo a edição de 2026 do levantamento, divulgada nesta quinta-feira (23/7), foram 2,26 milhões de golpes em 2025. 

Veja os dados de estelionato desde 2018

  • 2018: 426.799
  • 2019: 523.820
  • 2020: 927.898
  • 2021: 1.312.964
  • 2022: 1.816.438
  • 2023: 2.000.960
  • 2024: 2.193.122
  • 2025: 2.261.055

São Paulo registrou a maior taxa de estelionatos do país em 2025, com 1.808,3 casos por 100 mil habitantes. Em seguida aparecem Distrito Federal (1.717,0), Paraná (1.339,1), Rondônia (1.329,6), Santa Catarina (1.294,8), Espírito Santo (1.254,7) e Goiás (1.075,6).

Dos 2,26 milhões de boletins de ocorrência registrados em 2025, apenas 63,7 mil resultaram em processos penais, que levaram à prisão de 4,8 mil estelionatários. Isso significa que mais de 97% dos casos comunicados às polícias brasileiras não chegam ao Poder Judiciário.

Diante da baixa responsabilização penal, o Anuário afirma que o estelionato deixou de ser um crime praticado por indivíduos isolados e passou a funcionar como "uma das engrenagens do crime organizado".

O levantamento também mostra que 83,2% da população tem medo de sofrer um golpe pela internet ou pelo celular. Segundo o Anuário, muitos desses crimes estão ligados ao roubo ou furto de celulares, que facilitam o acesso de criminosos a aplicativos bancários e contas pessoais.. Veja os golpes mais comuns no Brasil:

  • Clonagem ou troca de cartão: Roubo dos dados do cartão (via sites falsos, maquininhas ou vazamentos) ou substituição física do cartão por um similar para fazer compras indevidas.
  • Golpe do WhatsApp: Criminoso usa a foto de um conhecido (ou hakeia a conta) e pede dinheiro urgente por PIX ou pagamento de boleto.
  • Falsa central bancária: Falso funcionário do banco liga alegando fraude e induz a vítima a passar senhas, fazer transferências de "segurança" ou entregar o cartão.
  • Golpe do Pix: Uso do Pix como meio rápido para receber dinheiro vindo de outros golpes (falsas vendas, falsos conhecidos ou acessos indevidos).
  • Falso SMS de CPF: Mensagem de texto alertando sobre suposta irregularidade no CPF com link ou telefone falso para roubar dados ou cobrar taxas inexistentes.
  • Falso leilão / loja falsa: Sites ou anúncios clonados vendendo produtos abaixo do preço de mercado. A vítima paga (por Pix ou boleto) e nunca recebe a mercadoria.

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o crescimento do estelionato está relacionado à digitalização dos serviços financeiros, ao uso disseminado do Pix e à atuação de organizações criminosas cada vez mais estruturadas. O estudo defende maior integração entre as polícias, aperfeiçoamento das investigações e ampliação da responsabilização penal para conter o avanço desse tipo de crime.


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