Jandira Marina Dias Braga de 76 anos morreu três dias após ser submetida, por engano, a um procedimento cirúrgico destinado a outra paciente com o mesmo nome no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas, no interior de São Paulo (SP).
A idosa enfrentava um câncer de intestino e estava internada após apresentar complicações relacionadas à bolsa de colostomia.
Segundo informações do Metrópoles, a família afirma que a paciente passou por uma sequência de falhas desde a chegada ao hospital, incluindo a aplicação de uma medicação destinada a outra mulher com o mesmo nome.
A instituição confirmou a ocorrência de um "evento adverso" e informou que abriu uma sindicância interna para investigar o caso.
Jandira foi internada no início de junho após os familiares perceberem que a bolsa de colostomia não estava funcionando.
De acordo com a neta da idosa, Camila Dias Barozzi, a equipe médica teria chamado uma paciente com o mesmo nome no momento da medicação e, sem conferir os dados completos, administrou o medicamento errado para a avó.
A família aguardava a definição sobre o tratamento, já que os médicos avaliavam se seria necessária uma intervenção cirúrgica. Na manhã seguinte à internação, segundo o relato da neta, os profissionais informaram que Jandira não teria condições de passar por uma cirurgia.
À noite, porém, a idosa foi encaminhada ao centro cirúrgico. Ela foi submetida a uma gastrostomia endoscópica, procedimento para inserção de uma sonda diretamente no estômago, que segundo a família, era destinada a outra paciente.
Médicos reconheceram a cirurgia realizada por engano
Ainda segundo o Metrópoles, a troca de pacientes só teria sido identificada após a realização da cirurgia, durante uma mudança de plantão. Segundo Camila, os profissionais perceberam que a paciente que deveria ter feito o procedimento permanecia aguardando no quarto.
Após a descoberta, a equipe médica chamou os familiares para uma reunião e admitiu o erro. Conforme o relato da neta, os profissionais afirmaram que, apesar da falha, a cirurgia poderia trazer um "benefício clínico" para Jandira.
A família, no entanto, contesta a avaliação e afirma que a idosa apresentou piora logo após o procedimento.
"A partir do momento que ela voltou da cirurgia, ela já começou a ter taquicardia, já começou a ter febre, já começou a ter tudo. Antes de ser dentista, fui técnica de enfermagem, trabalhei 12 anos dentro de uma UTI, ambulância e pronto-socorro. Então, tenho propriedade para dizer que ela começou a ter sintomas de infecção generalizada", afirmou Camila.
Nos dias seguintes, o estado de saúde de Jandira se agravou. Após avaliação médica e decisão conjunta com os familiares, foram adotados cuidados paliativos, sem realização de medidas invasivas. A idosa morreu às 19h30 do dia 11 de junho.
Para a neta, o erro retirou a possibilidade de recuperação da avó e antecipou a morte da paciente. "Eles tiraram a chance e tiraram a fé que a gente tinha dela poder melhorar", afirmou Camila.
O que diz o hospital?
Em nota enviada à reportagem, o Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas informou que "identificou a ocorrência de um evento adverso relacionado à assistência prestada a uma paciente".
"Assim que a situação foi constatada, a instituição adotou as medidas assistenciais necessárias, comunicou os familiares e prestou todo o suporte necessário ao longo da assistência. A avaliação médica e técnica realizada após o ocorrido concluiu que o procedimento realizado não alterou o prognóstico da paciente.
Desde a identificação do ocorrido, o Hospital instaurou sindicância interna para apuração rigorosa dos fatos, com o objetivo de identificar as circunstâncias da ocorrência e revisar os protocolos de segurança adotados pela instituição. O caso já está com encaminhamento aos conselhos profissionais competentes e foram adotadas medidas administrativas em relação aos profissionais envolvidos, incluindo desligamentos.
Como resultado da apuração, o Hospital reforçou seus protocolos e fluxos de segurança assistencial, reafirmando seu compromisso com a qualidade do atendimento, a segurança do paciente, a transparência e a melhoria contínua de seus processos.
O Hospital lamenta profundamente o ocorrido e permanece à disposição", escreveu o hospital.
NDMAIS