Uma leitura atenta dos dados mais recentes da PNAD Contínua para Rondônia revela um mercado de trabalho que combina sinais de estabilidade com desafios persistentes. A taxa de desocupação de 4,0% no quarto trimestre de 2025 coloca o estado em patamar relativamente baixo, mas o retrato completo exige uma análise mais ampla dos dados.
O recorte por sexo mostra que as mulheres continuam enfrentando taxa de desocupação superior à dos homens. Diferenças também aparecem quando observados os grupos de cor ou raça. Esses contrastes indicam que a melhora agregada do indicador não se distribui de forma homogênea entre todos os segmentos da população.
Outro ponto relevante está na escolaridade. Trabalhadores com ensino superior completo apresentam o menor nível de desocupação, enquanto faixas intermediárias de instrução concentram índices mais elevados. O dado reforça a relação conhecida entre qualificação e inserção no mercado, mas também evidencia a necessidade de políticas que ampliem oportunidades para quem possui menor nível educacional.
Mesmo com desocupação reduzida, a taxa composta de subutilização próxima de dois dígitos sinaliza que parte da força de trabalho ainda enfrenta dificuldades para obter ocupação plena. A presença de trabalhadores subocupados e de pessoas na força potencial indica espaço para avanços na qualidade do emprego.
A informalidade permanece como elemento central do debate. Com mais de 40% dos ocupados fora de vínculos formais, o estado mantém parcela expressiva de trabalhadores em condições mais vulneráveis de proteção social e estabilidade de renda. O avanço do emprego com carteira assinada é relevante, mas ainda convive com uma estrutura produtiva que absorve muitos trabalhadores por conta própria ou sem registro.
No campo dos rendimentos, o valor médio habitual próximo de R$ 3 mil ajuda a sustentar a massa salarial, que ultrapassou R$ 1,5 bilhão no último trimestre de 2025. Ainda assim, a leitura isolada da renda média não captura desigualdades internas nem a distribuição desses ganhos entre diferentes grupos.
Conjunto dos indicadores sugere que Rondônia encerra 2025 com um mercado de trabalho resiliente, porém heterogêneo. O desafio colocado para os próximos períodos será combinar manutenção do baixo desemprego com redução da informalidade, ampliação da qualificação e melhoria da qualidade das ocupações disponíveis. Manter vigilância sobre esses indicadores será decisivo para orientar políticas e reduzir assimetrias no mercado local.
Diário da Amazônia