A queda nos registros de dengue em Rondônia indica avanço importante, mas também revela limites e riscos que ainda exigem atenção permanente. Dados recentes da vigilância sanitária mostram redução de 41,6% na incidência e de 50,1% nos casos confirmados nos primeiros meses de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025. Dos 52 municípios, 49 apresentaram recuo nos números, enquanto três permaneceram estáveis ou tiveram pequenas variações, sem configuração de surto.
O resultado está ligado à ampliação das ações de combate ao mosquito. O estado aumentou em 50% o número de agentes de endemias, intensificou visitas domiciliares e reforçou a retirada de resíduos urbanos, com mais de 420 toneladas removidas de áreas críticas. O índice médio de infestação do Aedes aegypti caiu de 3,8% para 1,2%, abaixo do limite de alerta definido pelo Ministério da Saúde.
Na capital, Porto Velho, a redução foi de 63,3%, com os registros passando de 894 para 328 casos. O índice de infestação caiu de 4,2% para 1,1%. Municípios como Ariquemes, Ji-Paraná, Cacoal e Vilhena também registraram quedas superiores a 60%, indicando efeito positivo das medidas adotadas de forma contínua entre governo estadual e prefeituras.
Outro dado relevante é a ausência de mortes por dengue em 2026, contra três no ano anterior. A ampliação do diagnóstico nas unidades básicas de saúde e o início mais rápido do tratamento ajudaram a reduzir complicações e internações. Campanhas de conscientização e ampliação da vacinação também contribuíram para o cenário atual.
Apesar da redução, especialistas alertam que o risco permanece. Costa Marques teve queda de apenas 9,5% e mantém índice de infestação acima do considerado seguro. Na zona rural de Porto Velho houve aumento de 7,1% nos registros, enquanto Theobroma apresentou crescimento proporcional, embora com baixo número absoluto de casos.
Regiões ribeirinhas e áreas com infraestrutura precária continuam mais vulneráveis. Além disso, parte da redução acompanha tendência nacional, o que levanta dúvidas sobre quanto do resultado decorre de ações locais e quanto está ligado a fatores climáticos e sazonais.
O histórico recente reforça a necessidade de cautela. Em 2024, Rondônia registrou mais de 7 mil casos confirmados e 12 mortes. Em 2025 houve queda de 39%, seguida por novo recuo em 2026. Embora os números sejam positivos, doenças transmitidas por vetores têm comportamento cíclico e podem voltar a crescer em períodos de maior chuva e calor.
Diferenças regionais também mostram desigualdade estrutural. A Região Central apresentou redução média de 54%; a Leste, 48%; Norte e áreas de fronteira, 42%; e Sul, 45%. Os dados indicam que municípios com melhor estrutura urbana e maior articulação administrativa conseguem respostas mais eficientes.
Diário da Amazônia