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Nascido em 5 de março de 1938, na cidade de Grello-Gualdo Tandino, em Perugia, na Itália, o Frei Fulgêncio Monacelli traz na memória mais de seis décadas dedicadas ao Amazonas. Desde criança, ele já alimentava o desejo de seguir a vida religiosa. Ingressou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e, aos 25 anos, tornou-se padre. Dois anos depois, desembarcava no Brasil para iniciar uma missão que marcaria sua história e a de muitas comunidades.
"Tenho um fato que me marcou na minha vida. Por meio do meu sangue, consegui dar saúde a um senhor que tinha sido mordido por uma jararaca. A transfusão foi assim: eu numa cama e o senhor no chão, e o médico fez o procedimento. Anos depois, em Manaus, encontrei a esposa dele, que me reconheceu e agradeceu dizendo: ‘O senhor salvou meu marido. Hoje ele está bem, só ficou com uma perna mais fraca que a outra’. Para mim foi uma felicidade, uma satisfação, porque sabia que estava sendo útil", relembra emocionado.
O início da caminhada missionária aconteceu em janeiro de 1965, nos municípios de Benjamin Constant e São Paulo de Olivença. Pouco tempo depois, Frei Fulgêncio chegou a Manaus, onde permaneceu por mais de 30 anos, sendo 21 deles como pároco da Paróquia São Sebastião, no Centro.
Além da vida pastoral, ele se dedicou a aproximar a juventude da igreja por meio do esporte e da música. "Especialmente a juventude. Eu me preocupei bastante, tanto em Manaus quanto no interior. Fazia o possível para ter as crianças e os jovens próximos de mim, Foi assim que surgiu o time de vôlei feminino São Sebastião, iniciativa que marcou gerações, além da formação de corais e grupos de canto, eu encontrei um povo muito amigo, respeitoso e religioso. Isso me motivou a estar presente com eles, seja na pregação, na igreja, no coral ou no esporte. Sempre quis estar ao lado dos jovens", recorda.
A vocação missionária, segundo ele, nasceu ainda na juventude, ao ouvir relatos de religiosos que atuavam na Amazônia.
"Na trajetória filosófica e teológica, sempre tivemos notícias de missionários que voltavam de lá para cá. Eu fiquei curioso e cultivei a vontade de vir também para o Amazonas", diz.
Hoje, aos 87 anos, Frei Fulgêncio é lembrado como conselheiro espiritual, educador e incentivador da juventude. Uma vida dedicada à fé e ao próximo, que atravessou oceanos para escrever capítulos inesquecíveis da história do Amazonas.
Reportagem com colaboração de "Paulinho do Basquete", que hoje mora em Portugal.
Talissia Maressa - Portal SGC