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Brasil ativa banco de antígenos para febre aftosa na Argentina

Estrutura estratégica visa reforçar a capacidade de resposta do país diante de emergências sanitárias e proteger o rebanho nacional


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Fotos Wenderson Araujo/CNA

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Em meio às discussões sobre barreiras sanitárias impostas à carne brasileira por alguns mercados, o governo federal colocou em operação nesta sexta-feira (17) o Banco Nacional de Antígenos para Febre Aftosa, uma estrutura estratégica criada para reforçar a capacidade de resposta do país diante de eventuais emergências sanitárias. Durante a cerimônia de entrega, realizada em Garín, na Argentina, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que a iniciativa fortalece a credibilidade da defesa agropecuária brasileira e demonstra o rigor do país na proteção do seu rebanho.

O banco armazenará antígenos, matéria-prima utilizada na produção de vacinas contra a febre aftosa, que poderão ser utilizados caso o Brasil registre um foco da doença. A estrutura integra o plano de contingência do país após o reconhecimento, em 2025, como livre de febre aftosa sem vacinação pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal), condição considerada estratégica para manter o acesso aos principais mercados importadores de proteína animal.

Segundo André de Paula, a parceria foi firmada com a Biogénesis Bagó porque a empresa é uma das principais referências mundiais na produção de imunobiológicos para saúde animal e atende grandes mercados internacionais. Para o ministro, a entrega do banco de antígenos representa mais um passo na consolidação do sistema de defesa sanitária brasileiro.

O ministro afirmou que o reconhecimento internacional do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação foi resultado de um trabalho construído ao longo de décadas por produtores, governos e serviços de defesa agropecuária.

"O reconhecimento foi a coroação de muitos anos de esforço", disse.

Restrições da União Europeia

Questionado pela CNN sobre as restrições impostas pela União Europeia às exportações brasileiras de produtos de origem animal, André de Paula afirmou que a criação do banco de antígenos evidencia o compromisso do Brasil com a sanidade animal e reforça a confiança internacional no sistema brasileiro de fiscalização.

"Ninguém se torna o maior exportador de proteína animal do mundo sem ser muito rigoroso", afirmou.

Segundo o ministro, a defesa sanitária é um processo permanente de aperfeiçoamento para acompanhar as exigências dos mercados internacionais. "Esse é um processo de evolução. Vamos trabalhar sempre com novas exigências e nos adaptar", disse.

André de Paula também destacou que recebeu uma notícia muito positiva nesta sexta-feira: o Reino Unido segue importando produtos brasileiros normalmente, apesar das discussões envolvendo parte do mercado europeu. Ele voltou a afirma que as divergências com a União Europeia serão resolvidas.

Sobre as negociações envolvendo as cotas de exportação sem tarifas para o bloco europeu, o ministro afirmou que conflitos de interesse fazem parte das tratativas comerciais e demonstrou confiança em um entendimento entre as partes.

"É natural que existam conflitos de interesse. Para isso existem as negociações. Temos convicção de que somos capazes de construir uma solução que atenda a todos."

Negociação sobre cota chinesa

Em relação à China, principal destino da carne bovina brasileira, André de Paula afirmou que o governo continua trabalhando para ampliar as exportações e ressaltou que a variação nas compras chinesas reflete a dinâmica daquele mercado, e não problemas relacionados à qualidade da carne produzida no Brasil.

"O importante é a credibilidade da nossa carne. Não é que eles tenham deixado de importar porque nós falhamos", afirmou.

Tarifaço dos EUA 

Questionado sobre as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos para produtos brasileiros, o ministro disse que o governo continuará adotando medidas para apoiar os setores que forem mais impactados pelas restrições comerciais.

A criação do Banco Nacional de Antígenos é considerada um dos principais instrumentos de contingência para países livres de febre aftosa sem vacinação. Em caso de emergência sanitária, o estoque permitirá acelerar a produção de vacinas, reduzindo o tempo de resposta das autoridades e ajudando a preservar um dos principais ativos do agronegócio brasileiro: a sanidade do rebanho e o acesso aos mercados internacionais.

cnnbrasil


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