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VÍDEO: Cientista brasileira desenvolve proteína em formato de cruz que faz pessoas voltarem a andar

A base da descoberta reside na laminina, uma proteína natural abundante na placenta humana e fundamental na formação do sistema nervoso


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Uma revolução silenciosa, gestada há três décadas nos laboratórios da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está devolvendo o que parecia impossível a pacientes com lesões medulares graves: o movimento. Liderada pela cientista Tatiana Coelho de Sampaio, uma equipe brasileira desenvolveu a polilaminina, uma substância bioengenheirada que tem sido apontada pela comunidade internacional como uma forte candidata a um futuro Prêmio Nobel de Medicina. 

A base da descoberta reside na laminina, uma proteína natural abundante na placenta humana e fundamental na formação do sistema nervoso ainda na fase embrionária. O que chama a atenção — e dá nome popular à descoberta — é a sua estrutura molecular: sob análise microscópica, a laminina possui um distinto formato de cruz. Foi ao manipular essa "cruz biológica" que a equipe da UFRJ conseguiu aumentar sua potência em centenas de vezes, criando a polilaminina.

O "Andaime" Neural

O grande desafio da medicina em casos de tetraplegia e paraplegia sempre foi a incapacidade do sistema nervoso central de se regenerar. A polilaminina atua resolvendo exatamente essa lacuna. Quando injetada na lesão, ela funciona como um "andaime" ou uma "cola biológica", criando um ambiente que mimetiza o desenvolvimento embrionário. Isso engana os neurônios, estimulando os axônios a crescerem novamente através da área danificada e restabelecerem a comunicação entre o cérebro e os músculos. 

Resultados que desafiam o prognóstico

O tratamento, que conta com parceria do laboratório farmacêutico Cristália e aprovação da Anvisa para testes de segurança (Fase 1), já acumula histórias de recuperação impressionantes.

Entre os casos emblemáticos está o de Luiz Fernando Mozer, 37 anos, tetraplégico após um acidente de motocross. Menos de 48 horas após a aplicação da injeção experimental, ele relatou retorno de sensibilidade e contração muscular. Outro caso recente é o do jovem Luís Otávio, de apenas 19 anos, vítima de arma de fogo. Ele se tornou o paciente mais jovem do país a receber o tratamento e, surpreendendo a equipe médica, recuperou movimentos das mãos pouco tempo depois. 

Talvez o exemplo mais consolidado seja o de Bruno Drummond, que sofreu um acidente de carro em 2018. De um prognóstico de paralisia total, Bruno passou a recuperar movimentos do tronco, ficou em pé e hoje caminha com auxílio, frequentando os próprios corredores da UFRJ onde a pesquisa que mudou sua vida foi desenvolvida. 

Ciência Pública e Soberania Nacional

É fundamental destacar que este avanço é fruto da ciência pública brasileira. Financiada por órgãos de fomento como a FAPERJ, a pesquisa utiliza placentas humanas — material que seria descartado — para extrair a proteína base.

Embora o clima seja de otimismo, os especialistas, incluindo o neurocirurgião Marco Aurélio de Lima e a própria pesquisadora Tatiana Sampaio, pedem cautela. O tratamento ainda é experimental e não está disponível comercialmente. As próximas fases clínicas serão cruciais para provar a eficácia em larga escala e padronizar o tratamento.

Contudo, para a ciência brasileira e para as famílias que convivem com a paralisia, a polilaminina não é apenas uma molécula em forma de cruz; é um marco histórico que sugere que a lesão medular definitiva pode, em breve, ser uma condição do passado.


portalcm7


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