Carla Sena/Arte Metrópoles EUA X VENEZUELA_1
A Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) realiza, neste domingo (4/1), reunião extraordinária de ministros das relações exteriores dos países membros para discutir a situação da Venezuela após o ataque realizado pelos Estados Unidos (EUA), no sábado (3/1). O encontro, por videoconferência, está previsto para as 14h.
O Brasil será representando pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Ele participa da reunião do Palácio Itamaraty.
Como mostrou o Metrópoles, o chanceler brasileiro teve de interromper as férias e retornar a Brasília com a escalada das tensões na América Latina e a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e a esposa dele, Cilia Flores, pelos EUA.

Durante coletiva de imprensa no Itamaraty após a segunda reunião do governo brasileiro, no sábado, a embaixadora Maria Laura da Rocha, secretária-geral de Relações Exteriores, informou que o encontro estava sendo
A Celac é um grupo que reúne 33 países da América Latina e do Caribe e que tem como objetivo ampliar o diálogo entre as nações participantes, além de articular posições comuns entre os países. Atualmente, quem ocupa a presidência da Cúpula é a Colômbia, de Gustavo Petro.
Com a retirada de Maduro, quem assumiu o comando da Venezuela foi a vice-presidente do país, Delcy Rodriguez. Ela afirmou que a Venezuela não irá se render aos EUA.
A secretária-geral de Relações Exteriores do Brasil confirmou que o país reconhece Delcy como presidente da Venezuela.
Última cúpula da Celac discutiu situação da Venezuela
Em novembro foi realizada a 4ª Cúpula Celac—União Europeia, em Santa Marta, na Colômbia.
O encontro discutiu, entre outras temas, a escalada nas tensões entre os EUA e Venezuela. Até aquele momento, a Casa Branca estava intensificando a presença militar no mar do Caribe, sob justificativa de combater o narcotráfico na região.
Em seu discurso, o presidente Lula fez um diagnóstico sobre a situação política da América Latina e Caribe, afirmando que a região está "balcanizada e dividida". Ele salientou que a América Latina voltou a conviver com o extremismo político, manipulação da informação e com o crime organizado.
O governo brasileiro sempre defendeu uma saída pacífica para o conflito. Em reunião com Donald Trump, no fim de outubro, o chefe do Executivo brasileiro se colocou à disposição para mediar a disputa.
Em ligação telefônica no começo de dezembro ao líder norte-americano, Lula pediu para que os EUA não atacasse a Venezuela.
Ele tem ressaltado que a América Latina é uma "zona de paz".
Reunião da ONU
Na manhã desta segunda-feira (5/1), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai participar de outra reunião com autoridades internacionais: a do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a Venezuela.
De acordo com a embaixadora Maria Laura, a posição apresentada pelo presidente brasileiro no sábado, de que o ataque dos Estados Unidos representa uma "afronta gravíssima à soberania" da Venezuela, será reforçada no encontro.
O presidente está de férias na Restinga da Marambaia, base da Marinha no Rio de Janeiro, e permanece no local e aguarda informações sobre o desenrolar dos fatos para decidir se retorna à capital federal ainda neste domingo ou na segunda, como previsto.
Fronteira está "tranquila"
No sábado, o ministro da Defesa, José Múcio, declarou que a situação na fronteira com a Venezuela é de tranquilidade. Da parte do Brasil, ela continua aberta.
"A situação da fronteira nunca foi tão tranquila como está hoje. Movimento mínimo. É como se fosse um grande feriado. Até o movimento de automóvel é mínimo possível, de maneira que está tudo calmo e as fronteiras estão abertas. Brasileiro que está lá pode vir", afirmou o ministro.
Segundo Múcio, não há brasileiros dentre as vítimas do ataque, que deixaram ao menos 40 mortos.Em publicação nas redes sociais, o titular do Planalto declarou que os bombardeios em território venezuelano e a captura de Maduro "ultrapassam uma linha inaceitável". "Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional", afirmou Lula.
Ele acrescentou ainda que, "atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo".
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