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Em reunião realizada nesta segunda-feira, 5, do Conselho de Segurança da ONU, em Nova York, os governos do Brasil, da China e da Rússia, entre outros, condenaram a ação dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro. O representante da administração de Donald Trump afirmou que a iniciativa é uma operação de caráter policial e declarou que "não se trata de uma guerra".
O Brasil voltou a se posicionar contra a intervenção, sem mencionar autoridades de forma direta. O embaixador brasileiro no Conselho de Segurança da ONU, Sérgio Danese, afirmou que a ofensiva contra a Venezuela tem impacto sobre toda a comunidade internacional e estabelece um precedente perigoso. "Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios", disse aos demais membros do órgão.
"Força não pode se sobrepor à lei", declarou o representante do governo Lula. Segundo ele, o futuro da Venezuela deve ser decidido pelos próprios venezuelanos, por meio do diálogo e do respeito às leis internacionais.
A China alertou que o uso indiscriminado da força tende a gerar crises ainda mais graves. O embaixador chinês Fu Cong afirmou que os Estados Unidos "pisotearam a soberania venezuelana" e "colocaram seus poderes acima do multilateralismo".
A delegação chinesa também cobrou que os EUA assegurem a integridade física de Maduro e de sua esposa. "A China está profundamente chocada e condena fortemente as ações ilegais e os atos de bullying dos EUA que já acontecem há algum tempo", afirmou Cong.
A Rússia, por sua vez, pediu a libertação imediata do líder venezuelano. O embaixador Vasily Nebenzya declarou que não se pode permitir que os Estados Unidos "se autoproclamem juízes supremos que sozinhos tenham o direito de invadir países". Ele criticou o ataque armado ocorrido na Venezuela e defendeu que a crise seja solucionada por meio do diálogo, ressaltando que "não há justificativa para os crimes" cometidos pelos americanos. Segundo Nebenzya, Washington busca ampliar sua influência na América Latina e teria interesse nos recursos naturais da Venezuela, especialmente no petróleo.
O posicionamento dos Estados Unidos
O representante dos Estados Unidos declarou que "não há guerra" em curso contra a Venezuela. De acordo com o governo americano, a ação se trata de uma operação conduzida por forças policiais, "seguindo denúncias que existem há décadas", com o objetivo de capturar "um narcotraficante", em alusão a Maduro. Segundo Washington, o ataque teve como finalidade "proteger americanos do narcoterrorismo".
Durante a reunião, os EUA afirmaram ainda que não permitirão que o Ocidente seja utilizado como base de atuação por países rivais. "Não se pode deixar que as maiores reservas energéticas do mundo estejam sob o controle de adversários dos Estados Unidos", declarou o representante americano, Mike Waltz.
"Maduro é um presidente ilegítimo, ele não é um chefe de Estado. Por anos ele e seus asseclas têm manipulado o sistema eleitoral venezuelano para manter a força ilegítima do poder", acrescentou Waltz.
Os Estados Unidos fazem parte do grupo de cinco países com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU. Na prática, isso permite que o próprio governo americano bloqueie qualquer resolução que busque condenar, punir ou limitar suas ações. Mesmo com essas restrições, o Conselho de Segurança mantém peso político e diplomático e pode atuar como instrumento de pressão internacional.
Venezuela cita "sequestro"
O governo venezuelano acusou os Estados Unidos de sequestrarem Maduro e afirmou que a situação representa uma ameaça não apenas ao país, mas a outras nações. "Se o sequestro de um chefe de Estado, o bombardeio de um país soberano e a ameaça aberta de novas ações armadas são tolerados ou relativizados, a mensagem enviada ao mundo é devastadora: o direito internacional torna-se opcional, e a força passa a ser o verdadeiro árbitro das relações internacionais", declarou Samuel Moncada, representante da Venezuela.
Moncada afirmou ainda que a Venezuela foi atacada por causa de suas riquezas naturais. Segundo ele, a ação foi ilegítima, não possui base jurídica e a detenção de Maduro viola normas do direito internacional.
A Colômbia, por sua vez, declarou que os Estados Unidos desrespeitaram a Carta da ONU. "A Colômbia condena de forma categórica os acontecimentos na Venezuela. Representa uma evidente violação da soberania e independência política e integridade territorial", afirmou a representante colombiana, Leonor Zalabata.
O secretário-geral da ONU também manifestou reprovação à ação americana. A mensagem de António Guterres foi lida por Rosemary DiCarlo, subsecretária-geral da ONU para Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz, já que ele não pôde comparecer à reunião. No texto, Guterres afirmou estar "profundamente preocupado com o desrespeito às normas do direito internacional" durante a operação dos EUA na Venezuela.
Críticas a Maduro
França e Dinamarca condenaram práticas consideradas antidemocráticas de Maduro, mas também reprovaram o ataque promovido pelos Estados Unidos. Os dois países destacaram que cabe exclusivamente ao povo venezuelano decidir o futuro do país, e não a governos estrangeiros.
A Argentina igualmente se posicionou contra Maduro, afirmando que as eleições venezuelanas de 2024 tiveram como vencedor Edmundo González e que o atual líder não adota posturas democráticas desde que chegou ao poder.
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