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The Economist ridiculariza Trump e chama ataque ao Irã de ‘Operação Fúria Cega

Para publicação, conflito pode decretar fim político do presidente dos EUA


Imagem de Capa

Reprodução

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A nova edição da revista britânica The Economist traz uma crítica contundente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à sua condução da guerra contra o Irã. Na capa, o republicano aparece usando um capacete militar coberto por munições, acompanhado do título "Operação Fúria Cega" — uma referência irônica à ofensiva americana batizada de "Fúria Épica".

A imagem resume o tom da reportagem: uma avaliação de que o conflito pode marcar uma virada decisiva no segundo mandato de Trump, colocando em risco a base de sustentação política que o levou de volta à Casa Branca.

Na análise, a revista destaca que Trump construiu sua trajetória política com uma capacidade incomum de resistir a crises e contrariar previsões — desde o episódio do Ataque ao Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021 até sua vitória nas eleições de 2024 com uma margem mais ampla.

Ainda assim, o conflito com o Irã surge como um desafio de outra magnitude. Segundo a publicação, mesmo uma guerra curta já teria impacto relevante sobre o governo. Caso se prolongue por meses, pode comprometer de forma profunda o restante do mandato.

Os pilares de Trump sob pressão

A revista aponta que elementos centrais do poder político de Trump estão sendo diretamente afetados pela guerra: "O confronto com o Irã enfraquece três grandes ‘superpoderes’ políticos de Trump: sua capacidade de impor sua própria narrativa ao mundo, seu uso implacável de pressão e sua influência sobre o Partido Republicano."

Esses pilares, que sustentaram sua ascensão e governabilidade, passam a enfrentar limites em um cenário de conflito prolongado e instabilidade global.

Outro ponto destacado é que, mesmo sem a guerra, o poder político de Trump já poderia sofrer desgaste após as eleições legislativas de meio de mandato. No entanto, o confronto com o Irã atua como um catalisador, acelerando esse processo e reduzindo sua margem de manobra.

Irã como vencedor

"Se há um lado favorecido pelo tempo, pode ser o Irã", afirma a publicação sobre a guerra iniciada por Trump. E continua: "O Irã acumula poder de barganha. Sinalizou que pode permitir passagem segura a navios de países aliados, usando isso como instrumento de negociação. Mesmo que Trump queira encerrar a guerra, Teerã pode manter ataques. Se o bloqueio durar até o fim de abril, o petróleo pode chegar a US$ 150 por barril. Diante disso, o Irã pode exigir mais do que apenas um retorno ao cenário anterior — como o fim de sanções ou mudanças na presença militar dos EUA no Oriente Médio. Se uma recessão se aproximar e as bolsas caírem, Trump enfrentará uma escolha: escalar o conflito ou recuar."

A revista The Economist alerta ainda para um outro cenário: "Se a guerra se prolongar, com petróleo caro e mercados em queda, Trump pode buscar uma ‘vitória’ em outro lugar — como em Cuba."

Os efeitos da guerra vão além da geopolítica. O conflito também reconfigura o cenário interno dos Estados Unidos, colocando em xeque a eficácia das estratégias que consolidaram o poder de Trump.

A conclusão da análise é clara: a guerra contra o Irã não é apenas mais um episódio da política externa americana, mas um evento com potencial de redefinir o rumo da presidência — e, possivelmente, o futuro político de Trump.

ICL Notícias

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