A presidenta Claudia Sheinbaum anunciou, na conferência matutina de terça-feira (7/abr), a emissão de decreto presidencial que formaliza a criação do Serviço Universal de Saúde no México, como o SUS brasileiro defendido pelo Presidente Lula.
O objetivo central é permitir que qualquer cidadão receba atendimento em qualquer unidade pública, independentemente da instituição de origem, consolidando o direito à saúde como princípio efetivo.
O processo começa com a credencialização de todos os 130 milhões de mexicanos.
O registro da nova credencial, que servirá também como identificação oficial, inicia na próxima terça-feira (13/abr) e vai até 30 de abril para pessoas com 85 anos ou mais, acompanhadas de responsáveis nos módulos.
A fase se estende gradualmente por grupos etários e deve durar mais de um ano.
A credencial substituirá progressivamente os cartões atuais do IMSS, ISSSTE e IMSS-Bienestar, com versão física enviada ao domicílio em até seis semanas e versão digital imediata.
Com a Credencial do Serviço Universal de Saúde, Claudia Sheinbaum está criando no México um novo documento único que abrange esses três sistemas públicos de saúde: o IMSS - para trabalhadores da iniciativa privada e suas famílias; o ISSSTE - para servidores públicos; e o IMSS-Bienestar - para pessoas de baixa renda que não têm nenhum dos dois acima (gratuito para quem não tem carteira assinada ou emprego formal).
Antes, sendo do IMSS, o mexicano só poderia ser atendido em unidades do IMSS. E sendo do ISSSTE, só no ISSSTE, o que gerava filas enormes de um lado enquanto outros hospitais ficam vazios. Nesta situação, o paciente não podia escolher o que está mais perto ou tem vaga. Agora, com o SUS, qualquer mexicano poderá ser atendido em qualquer unidade pública (IMSS, ISSSTE ou IMSS-Bienestar), sem importar a qual sistema estava vinculado antes.
O documento do SUS funcionará também como identificação oficial (tipo RG ou título de eleitor); terá uma versão digital (por aplicativo no celular) liberada imediatamente após o cadastro; a versão física (plástica) será enviada para a casa do cidadão em até seis semanas após o registro; e no futuro, a credencial dará acesso ao histórico médico digital (expediente clínico unificado), agendamento de consultas, visualização de hospitais próximos etc.
É como se o governo mexicano estivesse criando um "Cartão SUS único" que vale em todos os hospitais e postos públicos do país, acabando com a divisão entre os diferentes "planos do governo". O cidadão mexicano não vai mais precisar ter três cartões diferentes — vai ter apenas um, que serve para tudo.
O processo de cadastro (credencialização) começou a ser escalonado para mais idosos (vide imagem) e deve durar mais de um ano para cobrir os cerca de 130 milhões de mexicanos.
A partir de 1º de janeiro de 2027, o sistema de atendimento universal começa a valer de fato.
Os 2.059 módulos instalados em capitais estaduais e na Cidade do México operarão de segunda a sábado, das 9h às 17h. A partir de 1º de janeiro de 2027, entra em vigor a primeira etapa de integração, com oito serviços essenciais disponíveis em qualquer instituição: urgências com continuidade de hospitalização, atendimento a gestantes de alto risco, código infarto, código cérebro, diagnóstico e tratamento inicial de câncer de mama, continuidade de terapias para câncer, insuficiência renal e transplantes, vacinação universal e consultas de atenção primária.
No segundo semestre de 2027 ampliam-se serviços especializados; em 2028, a universalização alcança receitas, consultas de especialidade e hospitalizações referenciadas.
Sheinbaum definiu a medida como "um passo histórico". Em suas palavras: "O objetivo é que, quando deixarmos o cargo, qualquer mexicano possa buscar tratamento para qualquer doença em qualquer instituição de saúde e ser atendido. Se estiverem cobertos pelo IMSS (Instituto Mexicano de Seguro Social), poderão recorrer ao IMSS-Bienestar (IMSS-Benefícios) ou ao ISSSTE (Instituto de Serviços de Previdência e Assistência Social aos Trabalhadores do Estado). Isso tornará o sistema mais eficiente, permitindo o compartilhamento de serviços".
O subsecretário Eduardo Clark complementou que a implementação será "paulatina, ordenada", garantindo sustentabilidade financeira e operacional. j
A iniciativa, semelhante à do governo Lula, reforça a justiça social ao priorizar o bem-estar coletivo e a democracia participativa na gestão da saúde pública. Ao eliminar barreiras institucionais, o México avança na universalização do acesso equitativo, com integração institucional que otimiza recursos existentes.
Especialistas destacam ainda o potencial de redução de custos para a população e de tempos de espera, consolidando a política pública como instrumento de inclusão no continente.
A América Latina acompanha com atenção essa experiência, que fortalece o papel do Estado na garantia de direitos fundamentais.
A credencial digital também incluirá histórico médico unificado e agendamento de consultas, ampliando a eficiência do sistema.
Urbsmagna