O deputado federal cassado Alexandre Ramagem (PL) se manifestou pela primeira vez, nesta quinta-feira (16/4), após ser solto de um centro de detenção do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) nos Estados Unidos. Em vídeo, ele criticou a Polícia Federal e agradeceu ao presidente norte-americano, Donald Trump.
O deputado cassado disse que foi detido "por uma questão migratória, nada de trânsito" e afirmou ter entrado nos Estados Unidos em setembro do ano passado de forma regular, com "passaporte válido, visto válido e sem condenação nenhuma". "Em seguida, nós entramos com o pedido de asilo", disse.
Ramagem afirmou que recebeu apoio durante o período de detenção e que a permanência dele nos Estados Unidos estaria sendo tratada junto às autoridades americanas. Segundo ele, a situação envolve a necessidade de regularização migratória.
"Primeiro eu quero agradecer a todos que torceram por nós, que fizeram orações, que estão do nosso lado, que é o lado da verdadeira justiça", disse. Ele também citou nominalmente apoiadores políticos e aliados, entre eles Allan dos Santos, Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo e o senador Hiran (PP-RR), a quem chamou de amigo de longa data.
No vídeo, o ex-deputado criticou a PF e a chamou de "polícia de jagunços". Ramagem negou que a prisão dele tenha ocorrido em cooperação internacional com a PF, como dito em nota da corporação.
Prisão em Orlando
Ramagem foi detido pelos agentes do ICE em Orlando, na Flórida, na última segunda-feira (13/4), e levado para um centro de detenção devido a questões migratórias. Ele perdeu o passaporte diplomático após ter o mandato de deputado federal cassado pelo Congresso Nacional, em dezembro de 2025.
O ex-parlamentar está nos Estados Unidos desde setembro de 2025. A fuga ocorreu durante o julgamento dele na trama golpista, em que o Supremo Tribunal Federal (STF) o condenou a 16 anos de prisão.
Em 30 de dezembro de 2025, o Ministério da Justiça formalizou o pedido de extradição de Alexandre Ramagem à Embaixada do Brasil em Washington, que enviou a documentação ao Departamento de Estado dos EUA.
Investigadores da PF descobriram que Ramagem deixou o Brasil pela fronteira com a Guiana, em Bonfim (RR). A investigação apurou que, após chegar a Roraima, o parlamentar seguiu de carro e cruzou a fronteira - onde apenas um rio separa os dois países.
A fuga ocorreu no mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, votou para condená-lo. Com isso, o magistrado decretou a prisão de Ramagem.
Já na Guiana, Ramagem embarcou para Miami (EUA). Há registro da chegada dele em 11 de setembro ao país norte-americano. Ele chegou ao território norte-americano sozinho, mas passou a viver no país acompanhado da esposa e dos filhos.
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