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Dólar afunda e volta a ficar abaixo de R$ 5,00 com menor tensão no Irã

Moeda americana registrou queda de 1,37% frente ao real, cotada a R$ 4,99. Ibovespa ficou perto da estabilidade, com recuo de 0,17%


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O dólar registrou queda expressiva de 1,37% frente ao real, a R$ 4,99, nesta segunda-feira (18/5). O resultado representa uma recuperação parcial da cotação da moeda americana, que anotou elevação de 1,63% na sessão de sexta-feira (15/5), ficando acima dos R$ 5,00.

O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), caiu pela segunda vez seguida. No pregão desta segunda, o indicador anotou leve baixa de 0,17%, aos 176,9 mil pontos, mantendo-se, na prática, perto da estabilidade. Na sexta, o recuo foi mais pesado: atingiu 0,61%, aos 177,2 mil pontos.

No início do dia, os mercados globais refletiam uma redução, ainda que tênue, da tensão global provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã. Isso ocorreu depois que as agências internacionais informaram que o Paquistão compartilhou com Washington uma proposta de paz feita por Teerã para encerrar o conflito.

Além disso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou nas redes sociais nesta segunda-feira que está adiando um ataque militar ao Irã. A investida, disse o republicano, estava programada para terça-feira.

No domingo, no entanto, Trump fez nova ameaça. Ele disse que o tempo para a conclusão de um acordo entre os dois países estava se esgotando. "E é melhor eles (os iranianos) se mexerem, rápido, ou não sobrará nada deles. O tempo é essencial", ameaçou.

Petróleo

Nesse contexto, o preço do petróleo voltou a subir no mercado internacional. O barril do tipo Brent, que serve de referência internacional, avançou 2,60%, a US$ 112,10. Por outro lado, o tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, caiu 0,99%, a US$ 104,38 por barril.

Fator eleitoral

No ambiente interno, diminuiu o impacto no mercado dos laços que unem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cuja relação foi divulgada na semana passada. Ainda assim, os investidores continuam de olho no tema.

Uma pesquisa do Datafolha veiculada na sexta-feira (15/5) não indicou um desgaste do senador. No primeiro turno, segundo o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou com 38% das intenções de voto contra 35% de Flávio. No segundo turno, eles seguem empatados com 45%. A maior parte das entrevistas, entretanto, foi feita antes da revelação das relações entre o senador e o ex-banqueiro.

Também na sexta-feira, contudo, um tracking diário da Atlas mostrou que Lula abriu uma vantagem de sete pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. No levantamento, o petista aparece com 49,1% das intenções de voto, contra 42,6% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Inflação e PIB

Ainda no ambiente interno, os investidores acompanharam a divulgação do Boletim Focus, a pesquisa semanal feita pelo Banco Central (BC) com economistas do mercado, do IBC-Br, que é a prévia do Produto Interno Bruto (PIB), também veiculada pelo BC, e do IGP-10, que mede a variação dos preços de matérias-primas agropecuárias e industriais, bens de consumo e custos da construção civil.

Um dos dados mais relevantes do Focus foi o aumento da estimativa de inflação pela décima semana seguida. Desta vez, a previsão do IPCA passou de 4,91% para 4,92%. Há quatro semanas estava em 4,80%. Para os analistas, o aumento da projeção do índice atua contra um novo corte de juros por parte do BC.

A previsão da taxa básica de juros do Brasil, a Selic, para o fim de 2026 também subiu. Ela passou de 13% para 13,25%. Atualmente, ela está em 14,50% ao ano.

Atividade fraca

Já o IBC-Br, a "prévia do PIB", recuou 0,67% em março em relação a fevereiro. A queda foi bem maior do que a esperada pelos agentes econômicos. Eles estimavam um recuo de 0,30%. Nesse caso, a indicação de uma atividade mais fraca, favorece o corte de juros por parte do BC.

Nessa mesma linha, ou seja, pró-cortes, o IGP-10 ⁠registrou alta de 0,89% em maio, depois ‌de subir 2,94% no mês anterior. A expectativa era de uma elevação de 1,11%, abaixo, portanto, do consenso do mercado.

Análise

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, ao cair, o dólar devolveu parte da forte alta recente em um movimento de realização de lucros após o estresse político doméstico envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e Vorcaro.

"O câmbio passa por um ajuste técnico e testa o patamar de R$ 5,00, monitorando também o alívio temporário no exterior trazido pelos sinais de distensão entre EUA e Irã, que chegaram a arrefecer os preços das commodities na parte da tarde — embora o petróleo Brent siga volátil e sustentado acima dos US$ 110", diz o analista.

No ambiente local, observa Shahini, os investidores deixaram em segundo plano o resultado mais fraco do IBC-Br de março, com o cenário político entrando mais em foco, o que até limitou uma melhora mais ampla dos ativos locais. "Somando-se a isso, as expectativas de alta na taxa terminal da Selic divulgada pelo Boletim Focus reforçam a perspectiva de juros brasileiros elevados por mais tempo, o que ajuda a sustentar o real perante seus pares", afirma.


Metrópoles


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