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Congo tem mais de 900 casos suspeitos de ebola, diz OMS

Surto no leste do Congo preocupa autoridades. Violência, desinformação e falta de tratamento dificultam contenção da doença


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Maciej Frolow/Getty Images

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O número de casos suspeitos de ebola no leste da República Democrática do Congo (RDC) ultrapassou 900, informou nesse domingo (24/5) o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. Desses, 101 foram confirmados.

No sábado, o Ministério da Saúde congolês havia reportado 204 mortes entre 867 casos suspeitos. Já na sexta-feira, a OMS elevou o risco de disseminação nacional do vírus no país para o nível "muito alto". Para a região, o risco é considerado "alto" e, globalmente, "baixo".

O epicentro do surto é a província de Ituri, onde a situação humanitária agrava o combate à doença. Segundo Tedros, uma em cada quatro pessoas na região depende de ajuda humanitária, enquanto uma em cada cinco está deslocada internamente.

"A violência está obrigando as pessoas a fugir, incluindo profissionais de saúde e trabalhadores humanitários, o que dificulta seriamente o rastreamento de contatos e a detecção precoce de novos casos", afirmou o dirigente da OMS.

A desconfiança da população e a circulação de desinformação também atrapalham as operações. Na última semana, manifestantes incendiaram tendas de tratamento após um conflito envolvendo o enterro seguro de uma pessoa que pode ter morrido de ebola.

Propagação preocupa e atinge Uganda

O vírus ultrapassou as fronteiras da RDC. Na vizinha Uganda, o número de casos confirmados subiu para cinco no fim de semana. Um cidadão americano infectado no Congo está sendo tratado no hospital Charité, em Berlim, mas não necessita de cuidados intensivos, segundo a instituição.

O atual surto foi oficialmente declarado em 15 de maio, em Ituri. Um dia depois, a OMS declarou "emergência de saúde pública de importância internacional". De acordo com a OMS, há indícios de que o vírus circulava sem ser detectado há meses.

A contenção enfrenta desafios adicionais porque a atual epidemia é causada pela rara variante Bundibugyo, para a qual não há vacina nem tratamento específico. A taxa de mortalidade varia entre 30% e 50%.


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