O dólar registrou leve queda de 0,10% frente ao real, cotado a R$ 5,17, nesta quarta-feira (10/6). Como a variação foi pequena, na prática, o câmbio manteve-se estável. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em baixa de 0,68%, aos 168,6 mil pontos
A guerra no Irã segue como o principal vetor dos mercados de câmbio e ações globais — e os fatos e declarações ligados ao confronto só fizeram piorar nesta quarta-feira.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a repórteres que iria realizar novos ataques contra o Irã, porque os iranianos estariam fazendo os americanos de "bobos" durante as negociações em busca de um acordo para encerrar o confronto.
As declarações foram feitas depois de novos confrontos entre os dois países. Eles ocorreram após a queda de um helicóptero americano, na segunda-feira (8/6). O episódio deu ensejo para mais uma violação do cessar-fogo, em vigor desde abril na região.
"Vamos atacá-los com força novamente hoje", afirmou o republicano, na tarde desta quarta-feira. "E veremos o que acontece com o acordo."
Alta do petróleo
Com o acirramento dos ânimos, o preço do petróleo voltou a subir, depois de uma pausa na véspera. O barril do tipo Brent, a referência do mercado internacional, fechou em alta de 1,80%, a US$ 93,10. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, avançou 2,27%, a US$ 90,20 por barril.
Bolsas no exterior
As principais bolsas da Europa caíram diante desse cenário, à exceção de Londres, que subiu 0,27%. Já o Stoxx 600, que reúne ações de 17 países do continente, recuou 0,08%, próximo da estabilidade. O DAX, de Frankfurt, baixou 0,97% e o CAC 40, de Paris, perdeu 0,51%. Os índices também foram pressionados pela decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), prevista para esta quinta-feira (11/6).
Em Wall Street, as baixas foram generalizadas e expressivas. Às 16h30, as quedas eram de 1,56%, no S&P 500; de 1,72%, no Dow Jones; e de 1,99%, no Nasdaq, que concentra as ações de companhias do setor de tecnologia.
Mais dólar
O dólar valorizou-se no cenário global, apesar da pequena queda no Brasil. Às 16h30, o índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), registrava leve avanço de 0,02%, aos 99,85 pontos.
Inflação nos EUA
Além da guerra, os agentes econômicos observaram nesta quarta-feira o comportamento da inflação nos Estados Unidos, medida pelo índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês).
O mercado interpreta os dados do CPI em busca de sinais sobre o que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai fazer com os juros básicos do país, atualmente fixados no intervalo entre 3,50% e 3,75%. A previsão vigente é de que ocorram novas altas da taxa ainda neste ano.
De acordo com o Escritório de Estatísticas do Trabalho americano, a inflação subiu 0,5% no mês passado, ante elevação de 0,6% em abril, e ficou em 4,2% nos últimos 12 meses (o maior nível nos últimos três anos). Os números vieram em linha com as previsões do mercado. A energia, puxada pelo imbróglio no Oriente Médio, foi a grande vilã da elevação dos preços nos Estados Unidos.
Eleição no Brasil
No ambiente interno, o fato novo desta quarta-feira foi político-eleitoral. Pesquisa da Genial/Quaest indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu seis pontos de vantagem no segundo turno sobe o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República. Lula tem 44% das intenções de voto, ante 38% de Flávio.
Na comparação com o levantamento anterior, de maio, as intenções de voto em Lula passaram de 42% para 44%. Para Flávio, a variação foi de 41% para 38%. Esta é a primeira vez desde março que os dois deixam de estar em situação de empate técnico.
Bolsa brasileira
Além disso, o Bank of America (BofA) rebaixou nesta quarta-feira as ações brasileiras de "overweight" (equivalente a compra) para "marketweight" (equivalente a neutra). Para o banco, o ciclo de corte de juros no Brasil está mais "desafiador" e "limitado", o que retira um importante catalisador doméstico para a Bolsa, ao mesmo tempo em que a volatilidade com a corrida eleitoral tende a aumentar no decorrer dos próximos meses.
No relatório, o BofA observa que estima que a Selic terminará o ano em 14,25%, ante os 13,25% esperados anteriormente. Tal alteração resultaria em apenas mais um corte de juros em junho, seguido por uma longa pausa.
Metrópoles