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Dólar dispara a R$ 5,18 com ata do Copom e menor apetite por risco

Moeda americana avançou 0,88% sobre o real. Ibovespa, o principal índice da B3, iniciou o pregão em queda, mas fechou com elevação de 0,52%


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Costfoto/NurPhoto via Getty Images

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O dólar registrou elevação de 0,91% sobre o real, cotado a R$ 5,18, nesta terça-feira (23/6). Com isso, a moeda americana reverteu o movimento de queda registrado na véspera, quando recuou 0,46%, a R$ 5,14.

Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta de 0,52%, aos 171,2 mil pontos. Esse foi o terceiro avanço seguido do indicador.

Nesta terça-feira, um conjunto de incertezas voltou a rondar os mercados de câmbio e ações. Dessa forma, o "apetite por risco", como dizem os analistas de mercado, dos investidores diminuiu.

Guerra no Irã

No cenário externo, houve alívio com novos sinais de avanço nas negociações no Oriente Médio. Pelo menos é isso o que se conclui a partir das declarações do presidente americano, Donald Trump.

Nesta terça-feira, o republicano voltou a afirmar que o Irã concordou em se submeter ao "mais alto nível" de inspeções nucleares por um longo período. O problema é que Teerã, invariavelmente, nega esse tipo de informação.

Petróleo

Seja como for, o balanço geral do noticiário sobre a guerra pode ser definido como "positivo". Isso porque o preço do petróleo permaneceu em queda, embora os ataques de Israel contra o Líbano não tenham cessado.

O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, caiu 1,05%, a US$ 77,08. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, baixou 0,88%, a US$ 73,21.

Bolsas globais

No caso das bolsas globais, as ações de empresas de tecnologia ajudaram a diminuir o apetite dos investidores por ativos de risco. A cotação de muitos desses papéis caiu na sessão, com o retorno de temores sobre a existência de uma bolha especulativa em torno do setor de inteligência artificial (IA).

Essa dúvida tem sido recorrente, mas ocorre em ondas. Por isso, não tem se mantido de forma constante. Nesta terça-feira, porém, ela voltou a assustar os investidores.

Na Ásia, o índice Kospi, da Bolsa de Seul, fechou em queda de 9,9%. O recuo foi puxado pelas perdas em ações das fabricantes de chips de memória SK Hynix e Samsung Electronics, que já tinham caído mais de 12% na véspera, em Wall Street.

Nos Estados Unidos, por volta das 15h30, quedas superiores a 10% atingiam, por exemplo, os papéis da Micron (fabricante de chips de memória) e da Sandisk (que produz dispositivos de armazenamento).

Europa

Diante desse cenário, o índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas de 17 países da Europa, fechou em queda de 0,57%. Em Frankfurt, o DAX caiu 0,81% e, em Paris, o CAC 40, baixou 0,71%. O FTSE 100, de Londres, manteve a estabilidade, com leve recuo de 0,09%.

Nova York

Em Nova York, a queda foi generalizada entre os principais índices. Às 16h40, ela era de 1,35%, no S&P 500; 0,05%, no Dow Jones (o que indicava estabilidade); mas de 2,09%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas do setor de tecnologia.

Ata do Copom

No ambiente interno, o mercado acompanhou a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC). O documento faz uma análise do cenário econômico para justificar a decisão tomada na quarta-feira (17/6), que resultou no corte de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros do Brasil, a Selic, atualmente fixada em 14,25%.

Na prática, o documento indica que os juros podem permanecer altos no Brasil por mais tempo. Isso como resultado de uma deterioração do cenário para a inflação, além da vigência de pontos sensíveis não equacionados, como o conflito no Oriente Médio.

Análise

Na avaliação de Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o dólar operou em alta frente ao real, pressionado por uma combinação de fatores externos que reforçaram a demanda pela moeda americana. Dados sobre a indústria (os Índices de Gerentes de Compras, ou PMIs, na sigla em inglês para Purchasing Managers’ Index) vieram abaixo do esperado, especialmente na Alemanha e no Reino Unido, o que ampliou a aversão ao risco nos mercados globais.

Nos Estados Unidos, observa o economista, informações sobre a atividade vieram acima das previsões, "sustentando a percepção de juros elevados por mais tempo".

Oriente Médio

"A queda do petróleo, favorecida pelos sinais de avanço nas negociações entre Washington e Teerã e pela manutenção do Estreito de Ormuz aberto, reduz o suporte ao real e a outras moedas ligadas a commodities", diz Kayo. "No front geopolítico, Trump afirmou que o Irã concordou com inspeções nucleares de alto nível, declaração que contraria a posição iraniana e mantém o mercado em alerta sobre a durabilidade do acordo."

Para o analista, no Brasil, a ata do Copom reforçou o tom cauteloso do Banco Central, destacando riscos como a inflação de serviços resistente, a "desancoragem" das expectativas (quando elas estão fora da meta), choques climáticos e o conflito no Oriente Médio, e sinalizou que os próximos ajustes da Selic serão graduais e dependentes dos dados.

"A ausência de ‘guidance’ (uma indicação do que será feito com a Selic) preserva a flexibilidade do BC, mas também limita o apetite pelo real ao confirmar um ambiente de maior risco inflacionário e menor espaço para cortes de juros ao longo do ano", afirma. "O diferencial de juros segue favorável à moeda brasileira, impedindo pressões mais intensas, mas não é suficiente para reverter o movimento de alta do dólar num dia em que o cenário externo aponta claramente na direção contrária."

Metrópoles


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