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Namorada dentista de Epstein pode herdar mais de R$ 500 milhões

Bielorrussa teria conseguido green card de forma ilegal com ajuda do aliciador, além de ter "comprado" ingresso em universidade


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Reprodução/CNBC

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A então namorada de Jeffrey Epstein, a dentista Karyna Shuliak, poderá receber uma bolada de até US$ 100 milhões (mais de R$ 500 milhões), incluindo um anel de diamante de 33 quilates, do patrimônio do financista e abusador sexual de menores, morto em 2019. O dinheiro é o que restou do espólio do criminoso, após o pagamento de indenizações às vítimas.

Segundo informações do jornal The New York Times, Shuliak, bielorrussa, de 37 anos, que trabalhava havia poucos meses em um consultório comum no centro do Brooklyn, foi a última pessoa para quem Epstein ligou antes de tirar a própria vida em sua cela.

Em janeiro, o Departamento de Justiça divulgou milhões de páginas de arquivos de investigação e e-mails reunidos sobre Epstein; entre eles milhares de e-mails íntimos entre a dentista e Epstein, além de dezenas de fotos dela e do casal. Eles mantiveram um relacionamento de quase oito anos.

A namorada, porém, está sendo considerada uma incógnita no caso: ela não se identificou como vítima, nem é considerada pelas autoridades federais como cúmplice, tampouco há indícios de que o FBI a tenha interrogado.

Karyna tinha livre acesso a um cartão de crédito de Epstein para comprar o que quisesse e chegou a ajudar a administrar propriedades e a equipe do namorado, inclusive na compra de um palácio no Marrocos, poucas semanas antes da prisão.

"Homem mais puro de todos"

Nos e-mails revelados, Epstein sugeriu que ela se casasse com uma de suas vítimas, pois acreditava que o compromisso entre pessoas do mesmo sexo seria a forma mais rápida conseguir um "green card".

Quando conheceu Epstein, ela tinha 21 anos e morava em Nova York, com visto de estudante temporário para estudar inglês em uma escola de Manhattan.

Ele, que tinha 58, teria subornado o diretor da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Columbia, em 2012, com uma doação de US$ 210 mil para que a namorada fosse admitida, após uma recusa.

Uma jovem da Sibéria, que diz também ter sido abusada pelo empresário, foi quem a apresentou a Epstein. Ao NYT, ela afirmou que ele recrutava periodicamente jovens para fazer massagens com conotação sexual.

"E essa parecia ser a intenção do Sr. Epstein em relação à Dra. Shuliak. A mulher havia enviado a ele uma foto da Dra. Shuliak, descrevendo-a como bonita. Após algumas trocas de mensagens, ficou decidido que a mulher, a Dra. Shuliak e a colega de quarto dela, vinda da Bielorrússia, encontrariam o Sr. Epstein na mansão dele em Manhattan", detalhou a reportagem.

Segundo o jornal, porém, a apresentação de ambos ocorreu depois que Epstein se declarou culpado, na Flórida, da acusação de solicitar serviços de prostituição de uma adolescente menor de 18 anos e de ter sido acusado de abusar de dezenas de outras adolescentes.

"Este mundo é muito cruel às vezes e, na maioria dos casos, temos de pagar um certo preço pelas coisas. Devo dizer que li algumas informações sobre você", escreveu Karyna para ele em um e-mail.

A reação dele foi repreendê-la por dar ouvidos a "rumores e histórias" e depois continuou a assediá-la com presentes, ingressos para o teatro, jantares, apartamento, além de ter trazido a mãe dela para os EUA.

"Você é o homem mais puro de todos", escreveu Shuliak para ele em junho de 2012. "Todo o seu amor e cuidado, meus pais, a faculdade, o apartamento. Muito obrigada por tudo".

A reportagem ainda expõe que o casal brigava às vezes por causa da insistência dele em fazer sexo com outras mulheres na casa dos 20 anos — incluindo o pequeno grupo de assistentes que realizavam tarefas para ele e a quem ele se referia como sua "família".

"Eles discutiam sobre sexo — com ambos desejando mais em momentos diferentes. Ela fazia pedidos a uma empresa de produtos de bem-estar sexual para casais. Periodicamente, enviava a ele links de vídeos pornográficos explícitos. Em alguns e-mails, discutiam pílulas anticoncepcionais, bem como medicamentos e tratamentos para acne", informou o NYT.

"Eu entendo que você precise disso; no entanto, são coisas que não me parecem naturais, parecem-me um tanto sujas", escreveu Karyna em agosto de 2012.

Em um desses documentos, a namorada de Epstein pediu a ele que mantivesse suas relações com essas mulheres longe de sua vista. "Se não for pedir muito, por favor, aproveite, mas mantenha-me afastada disso. Ficarei com você aconteça o que acontecer, desde que você esteja feliz. Eu te amo."

Testamento alterado

Pouco antes de se matar na prisão, Epstein alterou o testamento para deixar à namorada grande parte da fortuna de US$ 600 milhões, incluindo um grande anel de diamante, "em contemplação de casamento".

"No entanto, não está claro quanto ela receberá de fato. O patrimônio está avaliado entre US$ 120 milhões e US$ 200 milhões após o pagamento de quantias elevadas às vítimas, segundo registros. Há dezenas de beneficiários além da Dra. Shuliak, incluindo os filhos de Mark Epstein, que devem herdar US$ 10 milhões", segundo o NYT.

Em sua última ligação, após uma mês na prisão, Epstein conversou com Karyna por 20 minutos e disse que as acusações federais de tráfico sexual levariam mais tempo para serem resolvidas do que ele havia imaginado.

Ele a aconselhou a encontrar outro lugar para ficar. Na manhã seguinte, em 10 de agosto de 2019, o pedófilo foi encontrado morto em sua cela, vítima de suicídio.

Metrópoles


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