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Racha de charrete em praia vira alvo da polícia após morte de ciclista

De acordo com delegado, a polícia descobriu sobre os rachas com charrete a partir da morte de Thalita Rochino, atropelada no final de março


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Reprodução

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São Paulo — Os rachas de charretes nas praias do litoral de São Paulo viraram notícia, após uma suposta corrida ser responsável pela morte de Thalita Rochino, de 37 anos, ocorrida no último dia 23 de março, em uma praia de Itanháem, no litoral sul paulista.

Segundo o delegado da seccional do município, Archimedes Cassão Veras Júnior, as investigações policiais acreditam que esses rachas envolviam apostas em dinheiro. Ainda não se sabe quais quantias exatamente essas disputam movimentam.

Também de acordo com as autoridades, antes do caso que culminou com a morte de Thalita, não havia conhecimento sobre os rachas.

Apesar do desconhecimento policial, o marido da vítima, Valdemir Pereira dos Anjos, de 37 anos, afirmou ao Metrópoles que o suspeito que atropelou a mulher tinha um perfil nas redes sociais em que divulgava vídeos de corridas de charrete. Segundo ele, o material já foi entregue à polícia.

Valdemir contou também que não estava presente no local no momento do atropelamento da companheira, porém, ouviu de uma amiga que acompanhava Thalita que estaria acontecendo um racha de charretes no local. O homem prestou depoimentos à polícia no último dia 25 de março.

Morte de ciclista

Thalita foi atropelada por volta das 11h45 do último dia 23 de março, enquanto passeava de bicicleta junto a uma amiga pela faixa de areia de uma praia de Itanhaém.

A charrete envolvida no atropelamento era conduzida por Rudney Gomes Rodrigues, de 31 anos. Ele foi o autor do primeiro boletim de ocorrência (B.O.). No documento, o condutor disse que passava pela faixa de areia da praia quando viu uma pessoa à esquerda e desviou. Foi nesse momento que a ciclista, que vinha pelo lado direito, teria cruzado na frente da charrete, "ocasionando uma colisão frontal".

Rudney contou ainda que seguiu por cerca de 100 metros adiante para prender o cavalo. A esposa dele teria prestado socorro à vítima. O atropelador voltou ao lugar do acidente e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Em boletim de ocorrência registrado posteriormente pela amiga que acompanhava a vítima, a testemunha contou que viu dois carros e duas charretes em alta velocidade. Ela afirma que tentou avisar Thalita sobre a vinda dos veículos, enquanto desviava o próprio caminho, porém, escutou um som alto de batida na sequência.

Segundo o documento, a amiga contou que, na sequência, avistou Thalita caída no chão com "hemorragia no crânio" e a bicicleta retorcida, com o pneu estourado. A mulher conta que os envolvidos na corrida retornaram ao local para prestar socorro e que fizeram questão de colocar a vítima no carro e lavá-la para a UPA de Itanhaém, já que a ciclista "corria risco de vida".

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o caso é investigado como homicídio por meio de inquérito policial e as investigações analisam imagens, realizam oitivas de testemunhas e "demais diligências" para esclarecer o ocorrido.

Prisão

Rudney foi preso no último sábado (29/3), seis dias após o acontecido, depois de ser localizado por policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) em uma casa na Vila Mirim, em Praia Grande.

Na ação policial, os agentes encontraram o cavalo e a charrete no bairro Ribeirópolis, no mesmo município. O suspeito foi encaminhado à Cadeia Pública.

Em depoimento prestado na última segunda-feira (1°/4), Rudney contou às autoridades que estava conhecendo a égua que conduzia na charrete no momento do atropelamento.

Faixa de areia

Um dia antes da prisão de Rudney, a Prefeitura de Itanhém instalou uma faixa de areia com pedras para impedir a passagem de veículos e charretes dentro dos limites de Itanhaém.

"A Administração Municipal está analisando mudanças na legislação municipal para endurecer as penalidades contra práticas irregulares nas praias da cidade", disse a administração municipal.

Ainda de acordo com o órgão, uma reunião conjunta entre representantes das prefeituras de Itanhaém e de Peruíbe, além das polícias Militar e Civil, aconteceu na última segunda-feira (1°/4) para tratar da fiscalização do local.


Metrópoles

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