JP Rodrigues/Metrópoles
Uma servidora pública federal sofreu um golpe milionário de um empresário do ramo de camas e colchões no Distrito Federal. O caso aconteceu em janeiro deste ano e é investigado pela Polícia Civil do DF (PCDF).
O que aconteceu
A vítima relembra como conheceu o vendedor de colchões. "Eu estou me mudando de casa e pedi indicação a um amigo de uma loja onde eu pudesse comprar uma cama. Ele, então, me falou desse rapaz e eu fiz o primeiro contato em 30 de janeiro deste ano, por WhatsApp", comenta. "No dia seguinte, fui até a loja."
Foi neste dia que Sanção convenceu a mulher a aderir a esse empréstimo com promessa de retorno imediato. "Ele disse que trabalhava com essa coisa de giro rápido. Foi insistindo, me mostrando conversas com supostos clientes, prometendo sucesso", explica a servidora, que alega ter sido envolvida pela argumentação do rapaz. "Quando eu vi, abri o aplicativo do meu banco e transferi R$ 55 mil a ele. Era tudo que eu tinha."
"Esses R$ 55 mil era para eu comprar meu apartamento. Eu sinto até vergonha de lembrar como fui enganada. Fiquei cega. Quando me dei conta, pensei: ‘Meu Deus, o que eu fiz?!'", diz a vítima.
Àquela altura, a moça já suspeitava de que caíra num golpe, mas ainda não havia feito essa constatação. Ela esperou o prazo prometido pelo vendedor, que disse que pagaria R$ 60 mil a ela em 14 de fevereiro.
"Eu já fiquei desesperada assim que enviei o dinheiro, ainda no fim de janeiro. Parece que uma energia ruim me acometeu e me fez realizar aquela transferência. Comecei a cobrá-lo, e ele me enviou R$ 10 mil como consolo", conta a servidora.
O dia 14 de fevereiro chegou, e a suspeita se concretizou: o golpista não pagou o valor combinado e, ao ser cobrado, deu desculpas das mais variadas.
Por fim, dos R$ 55 mil que a funcionária pública enviou, recebeu apenas R$ 10 mil. Quanto ao restante, Sanção fez três cheques: um de R$ 47 mil, um de R$ 45 mil, e outro de R$ 60 mil. Nenhum deles tinha fundo.
Desespero e desculpas
As conversas entre Sanção e a vítima mostram o desespero da mulher ao perceber que perdeu mais de R$ 50 mil reais que seriam usados para comprar um apartamento.
"Me passa qualquer valor, por favor. Não posso deixar de pagar o meu apartamento. Eu estou desesperada", implorou a mulher ao golpista, em 3 de fevereiro deste ano.
"O meu corpo dói, não consigo me alimentar e os meus filhos me abraçam para me consolar e enxugar minhas lágrimas o tempo todo", queixou-se a ele. "Estou vivendo um grande sofrimento. Sempre confiei nas minhas amigas e, como você foi indicado por um amigo meu, também acreditei em você sem titubear."
Enquanto isso, o golpista dava explicações variadas. Dizia que estava fazendo "uma manobra com um colega" para pagar a dívida; alegava "problemas de saúde"; fazia novas propostas de pagamentos semanais de menor valor; e sempre pedia mais dias para resolver o débito.
A loja em que o homem trabalhava está com o status de "permanentemente fechada" no Google. "Fui até lá na última segunda-feira (31/3), e alguns comerciantes vizinhos disseram que mais pessoas têm ido à loja a procura do golpista", relata a vítima.
Mais vítimas
Um perfil no Instagram, criado em novembro de 2024, acusa Sanção de "golpista", "estelionatário" e "aproveitador de inocentes".
O perfil reúne apenas quatro postagens, feitas entre novembro e dezembro de 2024. Em uma delas, uma pessoa alerta: "Este homem tem feito vítimas no Distrito Federal. Ele diz vender colchões, mas, na verdade, é um tremendo 171", acusa. "Ele atrai mulheres com promessas de investimentos ou venda de colchões, pega o dinheiro, bloqueia a pessoa [nos apps de conversa] e some."
Outro internauta disse ter levado um "calor de mais de 100 mil reais".
Respostas
O Metrópoles buscou ouvir Sanção Borges Leal, mas o homem não atendeu as ligações e nem respondeu as mensagens enviadas pela reportagem. O espaço segue aberto.
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