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Auditoria confirma que desvio na Prefeitura de São Francisco foi de R$ 12,7 milhões

Valor desviado por servidor equivale a 705 anos do salário mínimo atual de um trabalhador


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A Polícia segue investigando o caso

Reprodução/Internet

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A apuração detalhada do setor de contabilidade da prefeitura de São Francisco do Guaporé revelou a dimensão exata do rombo financeiro causado por desvios de recursos públicos, que atingiu o montante de R$ 12.798.270,00. O principal suspeito é o servidor de carreira Adriano, que ocupava um cargo de confiança como executor de pagamentos. Essa posição estratégica garantia a ele acesso direto às contas bancárias do município, facilitando a movimentação dos valores de forma contínua desde abril de 2025. Para se ter uma ideia da magnitude do desfalque, o valor desviado equivale a mais de 8.460 salários mínimos atuais, o que corresponderia a aproximadamente 705 anos de trabalho de um cidadão comum que recebe o piso nacional.

O esquema funcionava por meio da adulteração de dados nos relatórios contábeis. Adriano transferia o dinheiro diretamente para sua própria conta bancária, mas, para ocultar o rastro do crime, registrava as saídas nos sistemas da prefeitura como se fossem pagamentos destinados a empresas que prestam serviços regularmente ao município. A fraude começou a ruir na última sexta-feira (20), quando um relatório de conferência apontou um desfalque inicial de 230 mil reais, levando o chefe do setor a exigir o extrato bancário em tempo real ao lado do servidor, que já vinha protelando a entrega do documento por três dias.

Em entrevista ao jornalista Fernando Pereira na noite da última segunda-feira (23), Adriano confessou que a motivação dos desvios foi o vício em apostas online. Ele relatou que a primeira retirada foi de apenas 300 reais e que chegou a restituir o valor por medo, mas sofreu uma recaída e não parou mais. Após a descoberta e a confissão perante o delegado de plantão, o servidor foi imediatamente exonerado do cargo de confiança. Além da investigação criminal, a prefeitura instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar internamente o desvio de conduta do servidor concursado.

O caso agora ganha desdobramentos em diversas esferas. Na segunda-feira (23), o prefeito compareceu à Delegacia da Polícia Federal para entregar documentos e formalizar a investigação em nível federal, uma vez que parte considerável dos R$ 12.798.270,00 desviados provém da União. Paralelamente, a Câmara Municipal já abriu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as falhas de fiscalização. Até o momento, Adriano permanece sob investigação e em liberdade, tendo sua conduta analisada tanto pela Polícia Civil quanto pela Polícia Federal e pelos órgãos de controle interno da municipalidade.

Redação


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