Gilmar C. da S., acusado de matar a companheira Lindiane Rufino Soares com mais de 40 golpes de faca foi condenado a 54 anos e 2 meses de prisão em regime inicialmente fechado. Durante o julgamento, que aconteceu nesta quarta-feira (3) em Salvador, ele confessou o crime.
O feminicídio ocorreu em 5 de janeiro de 2025, no apartamento do casal, no bairro de São Rafael, em Salvador. O laudo de exame necroscópico apontou perfurações no corpo causadas por 44 golpes de faca em diferentes órgãos de Lindiane.
Gilmar Correia da Silva, que é suboficial da Marinha Mercante, e a vítima mantinham um relacionamento de 19 anos e tinham uma filha de 10 anos à época do crime.
Com a confissão do réu, a defesa tentou convencer os sete jurados se houve causas para aumento de pena ou não. Ao fim, os jurados decidiram que o crime foi cometido no contexto de violência doméstica e familiar, o que configura feminicídio, e que houve duas causas: meio cruel e recurso que impossibilitou ou dificultou a defesa da vítima. Além disso, o juiz reconheceu como agravante o motivo torpe, alegado pelo representante do Ministério Público na ocasião.
Em decisão que negou o pedido de liberdade provisória da defesa, a juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos destacou a gravidade do caso, apontando que a vítima sofreu múltiplas perfurações e uma amputação traumática na ponta do dedo polegar da mão direita.
Segundo familiares, o relacionamento enfrentava conflitos desde dezembro de 2024. No dia do homicídio, Gilmar, que trabalha embarcado, pediu para o chefe uma folga, com a desculpa que precisava resolver problemas pessoais.
Após o crime, ele teria tentado deixar o local utilizando um carro por aplicativo. O motorista, no entanto, recusou a corrida ao perceber que o passageiro estava com as roupas manchadas de sangue. A polícia foi acionada e o acusado acabou preso em flagrante por uma policial militar que estava fora de serviço e seguia para casa.
Correio24h