Porto Velho deve enfrentar uma estiagem mais intensa e prolongada nos próximos meses em razão da atuação do fenômeno climático El Niño. A previsão, baseada em estudos realizados pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e outros órgãos de monitoramento climático, indica redução das chuvas, aumento das temperaturas e maior risco de queimadas na capital rondoniense.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento periódico das águas superficiais do Oceano Pacífico e faz parte da dinâmica climática natural do planeta. Na Amazônia, o fenômeno costuma provocar alterações no regime de chuvas, favorecendo períodos mais secos e prolongados.
Tradicionalmente, a estiagem na região ocorre entre os meses de junho e outubro. No entanto, para 2026, as projeções apontam que os efeitos da seca poderão se estender até janeiro de 2027, ampliando os impactos ambientais e sociais.
Com a combinação de altas temperaturas, baixa umidade relativa do ar e escassez de chuvas, cresce a preocupação com a propagação de incêndios e queimadas urbanas e rurais. Diante desse cenário, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) reforçou as medidas preventivas em diferentes regiões do município.
Entre as ações desenvolvidas estão o monitoramento de áreas consideradas críticas, atividades de educação ambiental, campanhas de conscientização da população, notificações a proprietários de terrenos sobre a proibição de queimadas urbanas e apoio às comunidades localizadas na região do Baixo Madeira.
Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Arthur Borin, os primeiros reflexos da seca já podem ser percebidos pelas populações ribeirinhas.
"Quem vive à beira do rio em Porto Velho já começou a perceber os efeitos da seca. Essas comunidades são as primeiras a serem impactadas pela redução do nível dos rios. A previsão para os próximos meses é de dificuldades na navegabilidade e piora na qualidade do ar. Estamos trabalhando para minimizar os riscos e proteger a população", destacou.
Além das ações de campo e do acompanhamento técnico das condições climáticas, a Sema também intensificou a fiscalização ambiental para combater práticas irregulares que contribuem para o aumento dos focos de incêndio.
O prefeito Léo Moraes ressaltou que a participação da população será fundamental para reduzir os impactos provocados pelo período de estiagem.
"Sabemos que o El Niño e os períodos de estiagem fazem parte da dinâmica natural do clima, mas cada cidadão pode contribuir para evitar o agravamento da situação. Não realizar queimadas e denunciar crimes ambientais são atitudes que fazem toda a diferença", afirmou.
Portal SGC