Uma Ação Civil Pública (ACP) protocolada sob o processo nº 7036590-54.2026.8.22.0001 levanta denúncias contra práticas adotadas em concursos públicos do Poder Executivo de Rondônia. A ação, com pedido de liminar urgente, aponta supostas irregularidades em exigências de editais que estariam submetendo candidatos a situações consideradas abusivas, invasivas e discriminatórias.
O processo é movido pelo **Centro de Defesa de Direitos Humanos da Criança e do Adolescente Maria dos Anjos (CEDECA)** e pelo **Instituto Banzeiro da Amazônia**, que alegam que as práticas não são pontuais, mas fazem parte de um padrão repetido em certames realizados pelo Estado nos últimos anos.
Segundo a ação, as irregularidades teriam sido identificadas em concursos de diferentes áreas da administração pública, como saúde, controle, finanças e assistência social, além de processos voltados à educação.
Exigências contestadas incluem "devassa íntima" e dados sensíveis
De acordo com os autores da ACP, os editais contestados preveem uma série de exigências na etapa de perícia médica que não teriam relação direta com as funções exercidas pelos cargos públicos.
Entre os principais pontos questionados estão:
A ACP sustenta que essas exigências configurariam violação à dignidade da pessoa humana, além de possíveis afrontas à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entidades falam em discriminação e violência institucional
As organizações responsáveis pela ação afirmam que as exigências representam uma forma de **discriminação institucional**, especialmente contra mulheres, ao impor regras específicas e mais invasivas para candidatas do sexo feminino.
Para a presidente do CEDECA, Thais Campos, as exigências representam uma barreira injustificável ao ingresso no serviço público.
> "Submeter profissionais a uma devassa compulsória de suas vidas privadas e de suas condições de saúde mental é uma violência psicológica e institucional inaceitável", afirmou.
Já a presidente do Instituto Banzeiro da Amazônia, Cleyanne Alves, destacou o recorte de gênero das exigências.
> "Exigir declarações sobre gravidez, atividade sexual e histórico reprodutivo reflete uma cultura autoritária e patriarcal que insiste em controlar o corpo feminino como condição para o trabalho", disse.
ACP aponta padrão repetido em concursos estaduais
A ação também sustenta que as práticas contestadas não seriam isoladas, mas sim repetidas em diferentes concursos públicos realizados pelo Governo de Rondônia ao longo dos últimos anos.
Segundo o documento, isso revelaria um **padrão administrativo sistêmico**, que precisaria ser revisto para adequação às normas constitucionais e aos tratados internacionais de direitos humanos.
O que pede a ação judicial
As entidades também pedem que o Judiciário avalie a urgência da situação para evitar que candidatos sejam submetidos às exigências enquanto o processo tramita.
Caso segue para análise da Justiça
A ação agora aguarda análise do pedido de liminar. Caso seja acatado, o Estado poderá ser obrigado a suspender imediatamente as exigências questionadas até decisão final do processo.
Portal SGC