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Cientistas descobrem vírus gigante com replicação inédita. Entenda

Encontrado no Japão, furtivovírus usa mecanismo nunca visto e pode ajudar a explicar a evolução das células complexas


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Pesquisadores japoneses descobriram um novo vírus gigante que se replica de uma forma nunca observada antes. A descoberta, publicada em 14 de maio no Journal of Virology, chamou atenção porque pode ajudar cientistas a entender melhor não apenas a evolução dos vírus, mas também a origem das células complexas.

O microrganismo foi encontrado no rio Inasegawa, na cidade de Kamakura, no Japão, por pesquisadores da Universidade de Ciências de Tóquio. Ele recebeu o nome de furtivovírus, inspirado na palavra latina furtivus, que significa "oculto" ou "furtivo", em referência à dificuldade inicial da equipe para identificá-lo.

Os chamados vírus gigantes recebem esse nome porque possuem genomas muito maiores e mais complexos do que os vírus comuns. Por isso, são vistos por muitos pesquisadores como peças importantes para compreender etapas antigas da evolução da vida.

Como o vírus age dentro da célula

Assim como outros vírus, o furtivovírus invade células hospedeiras para se multiplicar. O que surpreendeu os cientistas foi a maneira como ele faz isso.

Normalmente, vírus gigantes seguem dois caminhos. Alguns mantêm o núcleo da célula intacto e se replicam dentro dele. Outros rompem completamente a membrana do núcleo e usam o espaço ao redor para produzir novas partículas virais.

O furtivovírus parece funcionar de um jeito intermediário. Segundo os pesquisadores, ele destrói o núcleo celular, mas passa a se replicar justamente no fluido restante dessa estrutura.

"Embora esses vírus pertençam ao mesmo grupo, eles usam o núcleo da célula de maneiras diferentes", explicou o virologista Masaharu Takemura, um dos autores do estudo. Os cientistas afirmam que esse mecanismo nunca havia sido observado em outros vírus gigantes.

Uma possível peça da história da vida

Além da estratégia incomum de replicação, o vírus também chamou atenção por apresentar características genéticas que parecem ligar dois grupos diferentes de vírus gigantes.

Por causa disso, os pesquisadores propõem a criação de uma nova família viral chamada Manesviridae, que reuniria o furtivovírus e outros vírus semelhantes.

Segundo os autores, essas descobertas podem ajudar a reconstruir etapas importantes da evolução dos vírus ao longo de milhões de anos.

Os cientistas também relacionam o achado a uma hipótese antiga que sugere que os vírus podem ter participado da origem do núcleo celular, estrutura presente em organismos complexos, como animais, plantas e humanos.

De acordo com essa ideia, vírus ancestrais teriam influenciado o surgimento do núcleo como forma de proteção dentro das células.

O furtivovírus seria interessante justamente porque parece ocupar uma posição intermediária entre vírus que preservam o núcleo e aqueles que o destroem completamente.

Ainda não há comprovação definitiva dessa teoria, mas os pesquisadores afirmam que a descoberta reforça a ideia de que os vírus possuem estratégias muito mais variadas e sofisticadas do que se imaginava.

"Se pudermos entender como os vírus gigantes e as células hospedeiras interagem e evoluem juntos, poderemos obter novas perspectivas sobre a importância dos vírus como organismos vivos", afirma Takemura.

Metrópoles


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