Saúde

Vape com efeito gelado pode afetar ritmo cardíaco, afirma estudo

Pesquisa identificou alterações elétricas no coração após exposição a substâncias refrescantes usadas em vapes


Imagem de Capa

Magnific

Instagram Facebook Youtube Twitter

ACESSE NOSSAS REDES SOCIAIS
PUBLICIDADE

Ingredientes usados para dar sensação de frescor aos cigarros eletrônicos podem interferir no funcionamento elétrico do coração, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira (15/6) na revista científica Circulation: Arrhythmia and Electrophysiology, da American Heart Association.

A pesquisa avaliou três substâncias amplamente utilizadas em vapes: o mentol e os agentes refrescantes sintéticos WS-3 e WS-23. Os cientistas observaram que os compostos foram associados a alterações nos batimentos cardíacos em testes realizados com camundongos e em células cardíacas humanas cultivadas em laboratório.

Além da nicotina, muitos cigarros eletrônicos contêm substâncias que produzem uma sensação gelada na boca e nas vias respiratórias. O objetivo é tornar a inalação mais suave e agradável para o usuário.

Nos últimos anos, compostos sintéticos como WS-3 e WS-23 passaram a ser utilizados com frequência crescente em produtos comercializados como alternativas ao mentol tradicional.

Segundo os pesquisadores do estudo, ainda se sabe pouco sobre os efeitos cardiovasculares desses ingredientes quando inalados. Para a pesquisa, os cientistas expuseram camundongos machos ao aerossol de cigarros eletrônicos contendo nicotina e solventes, com ou sem a adição de mentol, WS-3 ou WS-23.

Durante os experimentos, foram monitorados parâmetros relacionados à frequência cardíaca, ao controle do ritmo do coração e à ocorrência de batimentos prematuros.

Problemas de saúde relacionados ao uso prolongado de vape

Doenças pulmonares crônicas: são comuns casos que incluem bronquite crônica e enfisema, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e fibrose pulmonar.

Problemas cardiovasculares: o consumo frequente causa aumento da pressão arterial e frequência cardíaca, maior risco de infarto do miocárdio e AVC, além de danos nos vasos sanguíneos.

Efeitos neurológicos: usar vape por muito tempo causa dependência da nicotina, alterações no cérebro em desenvolvimento, aumento da ansiedade e irritabilidade.

Risco de câncer: a exposição a substâncias presentes no vape pode levar ao desenvolvimento de cânceres.

Doença pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico (EVALI, em inglês): lesão pulmonar causada pelas substâncias contidas no vape e que pode deixar sequelas permanentes.

Em outra etapa, células cardíacas humanas cultivadas em laboratório foram expostas aos mesmos compostos para avaliar possíveis alterações na atividade elétrica cardíaca.

Os resultados mostraram que todos os ingredientes refrescantes testados provocaram mudanças em indicadores relacionados ao controle do ritmo cardíaco.

O efeito mais expressivo foi observado com o WS-23. Segundo os autores, a substância aumentou a ocorrência de batimentos prematuros em comparação com a exposição apenas à nicotina e aos solventes presentes no vape.

Nas células cardíacas humanas, as alterações apareceram principalmente quando os pesquisadores simularam uma situação de estresse biológico semelhante à ativação do sistema nervoso simpático, mecanismo envolvido nas respostas do organismo a situações de alerta.

De acordo com os autores, os achados sugerem que os ingredientes refrescantes podem modificar a atividade elétrica do coração e potencialmente favorecer o surgimento de arritmias.

Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que o trabalho foi realizado em modelos experimentais e não avaliou usuários de cigarros eletrônicos.

Por isso, o estudo não permite concluir que pessoas que utilizam vapes desenvolverão arritmias cardíacas. Os resultados indicam mecanismos biológicos que merecem investigação adicional e ajudam a compreender melhor como determinados componentes dos cigarros eletrônicos podem afetar o sistema cardiovascular.

Os autores afirmam que novos estudos em seres humanos serão necessários para determinar se os efeitos observados em laboratório também ocorrem em usuários dos produtos e qual pode ser o impacto dessas substâncias na saúde ao longo do tempo.

Metrópoles


NOTÍCIAS RELACIONADAS

Mais lidas de Saúde veja mais
Últimas notícias de Saúde veja mais