O Nubank emitiu um novo alerta de segurança para clientes com conta ativa diante do aumento de golpes envolvendo falsas centrais de atendimento. A fraude, considerada uma das mais comuns do setor financeiro, utiliza telefonemas, mensagens SMS, e-mails e redes sociais para enganar vítimas e obter dados bancários, senhas ou transferências de dinheiro.
Segundo levantamento da Federação Brasileira de Bancos, 26% dos brasileiros já sofreram tentativas desse tipo de golpe. As principais vítimas são mulheres, jovens entre 18 e 24 anos e pessoas com maior renda e escolaridade.
O golpe normalmente começa com uma ligação em que criminosos se passam por funcionários de bancos ou empresas conhecidas. Durante a conversa, os golpistas afirmam ter identificado movimentações suspeitas na conta da vítima e tentam convencê-la a confirmar informações sensíveis, clicar em links maliciosos ou realizar transferências.
Em alguns casos, os criminosos enviam mensagens SMS simulando compras negadas e fornecem números falsos de atendimento para que a própria vítima entre em contato com os fraudadores.
Ferramenta do Nubank tenta barrar fraudes
Para combater esse tipo de golpe, o Nubank reforçou a divulgação da ferramenta "Chamada Verificada", disponível no aplicativo da instituição.
O recurso funciona como um identificador de chamadas. Sempre que o time oficial de atendimento do banco entrar em contato com o cliente, uma notificação aparece dentro do aplicativo com detalhes da ligação.
Pela ferramenta, o usuário consegue visualizar informações como:
número do protocolo de atendimento;
identificação da empresa responsável pela ligação;
data e horário do contato.
Segundo o banco, não é necessário ativar manualmente a funcionalidade. Basta abrir o aplicativo durante a chamada para verificar se o contato realmente pertence ao Nubank ou a empresas parceiras autorizadas.
Especialistas orientam clientes a desligarem imediatamente
O Nubank e especialistas em segurança digital recomendam que clientes nunca forneçam senhas, códigos de autenticação ou dados completos do cartão durante ligações telefônicas.
Outra orientação é seguir a chamada "regra dos cinco minutos". Em muitos golpes, criminosos simulam encerrar a ligação e orientam a vítima a ligar para a central oficial do banco. No entanto, a chamada original continua presa na linha telefônica por alguns minutos, fazendo a pessoa acreditar que está falando com a instituição verdadeira.
Por isso, a recomendação é aguardar pelo menos cinco minutos antes de realizar qualquer novo contato ou utilizar outro canal oficial, como o chat do aplicativo.
STJ decide que bancos podem ser responsabilizados
O tema ganhou ainda mais relevância após decisão recente do Superior Tribunal de Justiça. A Terceira Turma da Corte decidiu, por unanimidade, que bancos e instituições de pagamento podem ser obrigados a indenizar clientes vítimas de golpes de engenharia social quando houver falhas nos sistemas de segurança.
Os ministros entenderam que operações consideradas incompatíveis com o perfil do cliente devem ser identificadas e bloqueadas pelas instituições financeiras.
Entre os critérios que precisam ser monitorados estão:
valores fora do padrão habitual;
horários incomuns;
sequência atípica de transferências;
contratação suspeita de empréstimos;
movimentações em curto intervalo de tempo.
Segundo o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, relator do caso, "se o serviço não fornece a segurança que dele se pode esperar, ele é considerado defeituoso".
Golpes preocupam setor financeiro
O crescimento das fraudes digitais vem pressionando bancos a ampliar mecanismos de proteção e monitoramento. Atualmente, milhões de brasileiros utilizam serviços financeiros digitais diariamente, tornando o setor um dos principais alvos de criminosos especializados em engenharia social.
O Nubank, que ultrapassou a marca de 112 milhões de clientes no Brasil, vem ampliando campanhas de conscientização e ferramentas de autenticação para tentar reduzir o número de vítimas.
Diário do Comércio