O deputado federal Mario Frias (PL-SP) enviou um áudio em 11 de dezembro de 2024 ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, agradecendo o apoio ao filme Dark Horse, que conta parte da história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A informação foi revelada pelo site Intercept Brasil.
Em uma mensagem enviada por WhatsApp para Vorcaro em 11 de dezembro de 2024, às 18h24, o deputado federal agradece ao banqueiro pela ajuda financeira para o filme.
"Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso, de vez em quando, te falar como as coisas vão andando, tá?"
Em seguida, Vorcaro responde: "Eu estou numa ligação, te chamo em seguida". Frias diz "Beleza" e, às 19h06, os dois se falam por ligação de voz durante cerca de 2 minutos.
O Metrópoles pediu um posicionamento do parlamentar, mas ainda não obteve resposta. O espaço segue aberto.
Em outra mensagem, Frias disse que "2026 é nosso" e frisou para Vorcaro: "Deus te abençoe, meu brother".
As conversas não pararam. Em 15 de dezembro de 2024, Frias enviou novas mensagens para o dono do Master. Na primeira, o parlamentar enviou uma captura de tela de uma conversa com o diretor Cyrus Nowrasteh, em que ambos trataram sobre a produção de um filme de "um homem comum que se tornou presidente por um milagre".
O diretor se comprometeu a falar com o ator Jim Caviezel sobre o projeto. Declarou, no entanto, que ele faria duas perguntas: "1) Posso ler o roteiro? 2) Eles vão me pagar bem?". Frias disse nas mensagens que Caviezel seria "imortalizado por esse papel".
Depois de enviar o print da conversa para Vorcaro, o deputado escreveu: "Milagres só são possíveis quando há fé", "Esse é um desses milagres". E complementou: "Vai ser a maior superprodução de uma história brasileira".
Dias depois, Frias voltou a conversar com Vorcaro. Em 22 de dezembro de 2024, o banqueiro avisou o parlamentar que estava na igreja, e prometeu falar com ele quando saísse. Antes que o banqueiro dissesse que estava disponível, Frias enviou que o filme seria "o grande milagre" e iria tocar "milhões de pessoas em todo mundo", com "um papel histórico imprescindível para as futuras gerações". "Tenho certeza que sim", respondeu Vorcaro.
O parlamentar acrescentou ainda que o longa era uma "questão de justiça divina" e que o ex-presidente Bolsonaro precisava "ter sua verdadeira história revelada".
Frias já mudou sua versão sobre financiamento do filme
Na semana passada, Frias mudou sua versão sobre o financiamento sobre o filme Dark Horse. Inicialmente, o parlamentar disse que o banqueiro "não tinha dado um centavo" para a produção do filme. Depois, admitiu o uso de recursos vindos de Vorcaro.
Em nota, Frias alegou que não há contradições entre os "posicionamentos públicos sobre o financiamento do projeto, mas uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento".
Segundo ele, quando disse que não havia "um centavo do Master" envolvido no longa, referia-se ao fato de que Daniel Vorcaro não é e nunca foi signatário jurídico, assim como o Master nunca figurou como empresa investidora. "O nosso relacionamento jurídico foi firmado com a Entre, pessoa jurídica distinta", declarou.
A contradição, no entanto, estaria no fato de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu que havia um contrato do banqueiro com a produção dos filmes, e que o dinheiro recebido se deu devido a "um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai".
"Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme", argumentou Flávio.
Metrópoles