A recente aprovação do Projeto de Lei 53/2023 na Assembleia Legislativa de Rondônia representa um marco significativo na busca pela equidade e inclusão social no estado. A proposta, de autoria da deputada estadual Cláudia de Jesus (PT), estabelece a reserva mínima de 20% das vagas em concursos públicos nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para a população negra.
A iniciativa, embasada no reconhecimento das desigualdades históricas enfrentadas pelos afrodescendentes no acesso ao mercado de trabalho e espaços de poder, visa corrigir desequilíbrios estruturais. Ao longo do tempo, tem sido evidente a exclusão e a sub-representação dos negros em cargos públicos, reflexo de uma sociedade marcada por preconceitos arraigados por séculos.
A fundamentação da proposta encontra respaldo em leis similares adotadas em 18 estados brasileiros e no Distrito Federal, além da legislação federal, a Lei nº 12.990/2014, que dispõe sobre o assunto. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2017, reconhecendo a constitucionalidade das cotas raciais em concursos públicos, também fortalece o embasamento jurídico desta medida.
É importante ressaltar que a implementação dessas cotas, além de promover a igualdade de oportunidades, contribui também para a construção de um serviço público mais representativo e plural. A diversidade é um valor inegável em qualquer esfera da sociedade, e a administração pública deve refletir essa riqueza de perspectivas, experiências e conhecimentos.
O texto do projeto é claro ao estabelecer critérios transparentes para a aplicação das cotas, determinando sua divulgação nos editais dos concursos públicos, além de definir a autodeclaração como critério para participação nesse sistema de reserva de vagas, baseado no quesito cor ou raça utilizado pelo IBGE.
A iniciativa da deputada Cláudia de Jesus e a aprovação unânime na Assembleia Legislativa destacam um compromisso coletivo em enfrentar as disparidades e construir um futuro mais igualitário. Contudo, é fundamental que medidas como esta sejam acompanhadas por políticas de apoio e capacitação, garantindo não apenas a entrada, mas também a permanência e ascensão desses profissionais nos quadros públicos.
Este avanço legislativo é um passo relevante para uma sociedade mais justa e inclusiva. Rondônia, ao adotar essa medida, reforça seu compromisso com a igualdade de oportunidades e serve como exemplo para os estados que ainda não adotaram essa medida, no que se refere à promoção de um ambiente mais diversificado e representativo no serviço público.
Diário da Amazônia