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O Acordo Mercosul/União europeia e os desafios à indústria rondoniense

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A avaliação positiva da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero) sobre o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia insere o estado em um debate mais amplo sobre inserção internacional, competitividade e adaptação produtiva. O tratado, ainda em processo de consolidação, tem sido analisado por diferentes setores como uma possível porta de entrada para mercados exigentes, mas também como um teste à capacidade de resposta da indústria brasileira.

Na leitura da Fiero, a aproximação com o bloco europeu amplia o alcance de produtos com maior valor agregado e impõe um padrão mais rigoroso de exigências técnicas, sanitárias e ambientais. Trata-se de um cenário que tende a favorecer empresas já estruturadas, com capacidade de comprovar origem, rastreabilidade e conformidade regulatória, características cada vez mais demandadas por consumidores europeus.

Rondônia aparece nesse contexto como um estado que reúne cadeias produtivas com potencial de diferenciação, especialmente em segmentos ligados ao agronegócio e à indústria de alimentos. Produtos como café, castanha e chocolate são citados pela Fiero como exemplos de atividades que podem se beneficiar da valorização de atributos como identidade regional e processos produtivos alinhados a critérios ambientais. A leitura é de que há espaço para expansão, desde que as exigências do mercado sejam atendidas.

Ao mesmo tempo, o acordo não é isento de desafios. A elevação dos padrões técnicos tende a exigir investimentos adicionais, modernização industrial e acesso a políticas de apoio. Pequenas e médias empresas, em especial, podem enfrentar dificuldades para cumprir exigências complexas de certificação e adequação normativa, o que impõe a necessidade de ações coordenadas entre setor produtivo e instituições de apoio.

Outro ponto sensível envolve o papel das normas ambientais e sociais no comércio internacional. Embora apresentadas como instrumentos de qualificação de mercado, essas regras também são vistas, por críticos, como potenciais barreiras comerciais. O equilíbrio entre exigência regulatória e acesso justo aos mercados permanece como um dos principais desafios do acordo.

A posição da Fiero destaca ainda a importância da qualificação industrial e da inovação como caminhos para ampliar a competitividade. A inserção em cadeias globais de valor depende não apenas da abertura comercial, mas da capacidade de atender padrões internacionais de forma consistente e sustentável.

Nesse contexto, o acordo Mercosul-União Europeia se apresenta menos como um ponto de chegada e mais como um processo. Seu impacto efetivo sobre a indústria rondoniense dependerá do ritmo de adaptação das empresas, da existência de políticas de suporte e da capacidade de transformar exigências externas em ganhos estruturais para a economia local.

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