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Crescimento com déficit revela um modelo que ainda pede ajustes

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Dados do comércio exterior no início de 2026 colocam Rondônia diante de um cenário que exige leitura cuidadosa. O déficit de US$ 66,7 milhões registrado no primeiro bimestre, por si só, pode sugerir desequilíbrio. A análise mais detalhada, no entanto, indica um movimento associado à dinâmica produtiva, sobretudo à antecipação de insumos que sustentam a atividade econômica ao longo do ano.

O avanço de 75% nas importações, em contraste com o crescimento de 25% nas exportações, revela um descompasso momentâneo entre entrada e saída de recursos. Esse intervalo, contudo, não ocorre de forma aleatória. Ele acompanha o calendário produtivo, especialmente no agronegócio, que depende da aquisição prévia de fertilizantes, máquinas e outros insumos estratégicos para viabilizar safras futuras.

Esse padrão não é novo, mas ganha escala à medida que a economia estadual se integra de forma mais intensa aos fluxos internacionais. A presença de produtos como adubos, aço e equipamentos industriais na pauta de importações reforça a leitura de que o déficit decorre, em grande parte, de decisões voltadas à manutenção da produção. Ainda assim, o crescimento acelerado das compras externas amplia a exposição a variações cambiais e a oscilações no mercado global.

No campo das exportações, a concentração em poucos produtos, com destaque para a carne bovina, mantém o estado dependente de commodities. Essa característica sustenta receitas relevantes, mas também limita a capacidade de amortecer choques externos. A forte relação com a China, principal destino das vendas e origem das compras, intensifica esse quadro ao consolidar uma dependência bilateral.

Há, portanto, dois movimentos simultâneos. De um lado, a expansão da atividade econômica, sustentada por uma base produtiva que demanda insumos e se prepara para ampliar resultados. De outro, a persistência de fragilidades estruturais, como a baixa diversificação da pauta exportadora e a limitada agregação de valor.

O mecanismo da importação escritural adiciona complexidade ao cenário. Ao permitir operações logísticas fora do estado, mas com recolhimento tributário local, amplia a competitividade das empresas. Ao mesmo tempo, dificulta a percepção direta do impacto dessas transações na economia real, o que exige atenção redobrada na formulação de políticas públicas.

O desafio que se impõe não está no déficit em si, mas na capacidade de transformá-lo em etapa de um ciclo virtuoso. Isso passa por fortalecer cadeias produtivas locais, ampliar a industrialização e reduzir a dependência de insumos externos ao longo do tempo. Sem esse avanço, o risco é manter um modelo que cresce, mas segue condicionado a fatores externos.

A leitura dos números, portanto, não autoriza alarmismo, mas tampouco recomenda complacência. O momento pede estratégia, coordenação e visão de longo prazo.

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