Agro

Brasil perde R$ 10 bi ao ano com pirataria de sementes

Sementes clandestinas já ocupam 11% da área plantada no país


Imagem de Capa

Brasil perde R$ 10 bi ao ano com pirataria de sementes

Divulgação

A pirataria de sementes de soja no Brasil tem causado prejuízos estimados em R$ 10 bilhões por ano, segundo um estudo divulgado pela CropLife Brasil e a consultoria Céleres. O levantamento aponta que sementes clandestinas já ocupam 11% da área plantada no país, o equivalente a toda a área cultivada em Mato Grosso do Sul na safra 2023/2024.

O impacto econômico da pirataria de sementes não se restringe apenas às perdas financeiras. O estudo projeta que, se essa prática fosse eliminada, haveria um incremento de R$ 2,5 bilhões na renda dos agricultores, R$ 4 bilhões na produção de sementes certificadas, R$ 1,2 bilhão na agroindústria de farelo e óleo de soja e R$ 1,5 bilhão em exportações do agronegócio. Além disso, a arrecadação de impostos poderia aumentar em R$ 1 bilhão nos próximos 10 anos, enquanto os investimentos em novas variedades de sementes poderiam crescer R$ 900 milhões na mesma década.

Para Anderson, Anderson Galvão, CEO da Céleres, os prejuízos da pirataria de sementes vão além das cifras bilionárias e impactam diretamente a competitividade do Brasil no mercado global. "O tema dessa perda de R$ 10 bilhões traz uma armadilha muito grande para o setor. A soja e o milho são indústrias gigantes, e à primeira vista pode parecer um número pequeno dentro do total, mas não é. O principal problema aqui é o risco", destaca.

Um exemplo concreto desse perigo ocorreu recentemente, quando carregamentos de soja brasileira foram recusados na China devido à presença de sementes contaminadas por plantas daninhas. "O Brasil é o maior exportador global de soja, e a China responde por mais de 70% das nossas exportações. Quando um lote é barrado, o impacto não é apenas financeiro, mas também na reputação do setor", alerta Anderson.

Outro ponto crítico é o efeito negativo da pirataria na inovação agrícola. "Se eu tenho um aumento da pirataria, por outro lado, tenho um desestímulo ao investimento em pesquisa e desenvolvimento de novas variedades. Isso compromete a capacidade da indústria de responder rapidamente aos desafios climáticos, pragas e doenças", explica Anderson. Ele reforça que a falta de incentivo à pesquisa pode comprometer a agilidade do setor em oferecer soluções genéticas no futuro.

Além dos riscos econômicos e sanitários, a pirataria de sementes também traz impactos jurídicos e ambientais. A comercialização de sementes sem registro pode violar leis de propriedade intelectual e comprometer a segurança fitossanitária do país. O uso dessas sementes pode aumentar a incidência de pragas e doenças, elevando o uso de defensivos agrícolas e, consequentemente, o custo de produção para os agricultores.

agrolink

Mais lidas de Agro
Últimas notícias de Agro