A entrada em vigor das novas tarifas globais anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu um novo capítulo de incertezas para o comércio internacional — e o café brasileiro está no centro desse debate, apesar de o tipo verde ainda estar sob alíquota zero. O solúvel, de forma tímida, tenta não 'comemorar' redução de sobretaxa antecipadamente.
Informações preliminares compartilhadas pelo setor norte-americano, o café verde — principal item da pauta exportadora do Brasil para os EUA — permanecerá com tarifa zero. A manutenção da isenção estaria prevista nas ordens executivas assinadas por Trump, que teriam preservado as exceções concedidas no ano passado para café verde e também para o café torrado, tanto regular quanto descafeinado.
Se essa interpretação se confirmar, o café solúvel seria o único produto do complexo cafeeiro sujeito à nova tarifa de 10%.
O problema é que, até o momento, não há posição formal. Segundo atualizações de fonte americana ao CNN Agro, sob a condição de anonimato, ainda é preciso analisar os anexos da nova ordem executiva para confirmar o enquadramento correto dos produtos. Centenas de páginas e olhar atento para não tropeçar em armadilhas das entrelinhas.
O cenário é descrito por representantes do setor nos Estados Unidos como "extremamente confuso".
A dificuldade adicional está no fato de que os EUA mantêm acordos comerciais com dezenas de países, com diferentes programas tarifários e alíquotas específicas. Além disso, decisão recente da Suprema Corte americana tratou apenas de um desses programas, o que amplia a insegurança jurídica sobre como as novas tarifas serão operacionalizadas.
A incerteza ficou evidente nesta semana: uma reunião que ocorreria com conselheiros da indústria junto ao governo americano foi adiada sem justificativa oficial. A avaliação interna é de que o adiamento reflete justamente a complexidade e a falta de clareza sobre a implementação das medidas.
Para o Brasil, maior fornecedor de café aos EUA, a definição técnica dos códigos tarifários será determinante. O café verde responde pela maior parte dos embarques brasileiros ao mercado americano — e qualquer alteração de status pode impactar preços, competitividade e contratos em andamento.
Por enquanto, o setor trabalha com cautela. A orientação é evitar posicionamentos definitivos até que haja confirmação formal do governo americano.
O que está claro é que, mesmo quando a tarifa é zero, a insegurança regulatória já impõe custos ao comércio.
Diante do cenário de reorganização do comércio internacional, exportadores brasileiros apostam em outros acordos globais e em clientela fiel, como Alemanha, Bélgica, Itália. Outros clientes em franca expansão, como Japão e China, seguem na mira e topam pagar mais.
E se o consumidor norte-americano pode ser aliado do café brasileiro, tensionando medidas locais pelo acesso ao produto, ao consumidor brasileiro a cadeia cafeeira deve manter a oferta nas atuais condições. O que, ao menos, em confuso cenário global, é uma boa perspectiva para curtir um café brasileiro.
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