O relatório preliminar da USDR, que orienta taxar em 25% determinados produtos brasileiros, tem peso extra para o café solúvel do Brasil. O item não foi isento durante a investigação comercial dos EUA, que começou no ano passado, e atualmente tem tarifa de 10%.
Caso a diretriz da entidade comercial americana seja efetivada no próximo dia 15 de julho, a nova taxa de 25% sobre o item passará a valer, o que tende a dificultar as exportações aos americanos.
Historicamente, os EUA lideram as compras do café solúvel do Brasil para abastecer sua indústria.
De acordo com o diretor-executivo do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), Marcos Matos, o momento acelera, mais uma vez, ação intersetores para desenrolar um acordo bilateral com as partes americanas. Ele defende uma negociação focada na ampliação da lista de exceção para fortalecer a parceria com os EUA.
"Basicamente o governo americano está dizendo ao Brasil: venha negociar, vamos fazer um acordo bilateral. Mais do que nunca, nós temos que fazer grande negociação e trabalhar com os dois governos, dos EUA e do Brasil, para chegar a um acordo que seja justo para os dois lados", enfatizou à CNN Agro.
Como contrapartida, acrescenta Matos, o Brasil tem o déficit comercial com os americanos para "colocar à mesa" de negociações. "Nós temos a possibilidade de discutir a lista de exceção. O grande objetivo, agora, é ampliá-la e colocar o café solúvel".
Em condições normais, os Estados Unidos é o principal cliente de café do Brasil, além de ser o país que mais consome a bebida no mundo. Antes, 34% de tudo que existia do grão no território americano era de origem brasileira, entre as marcas comerciais daquele país.
"Estamos sofrendo ainda com a queda das exportações para lá, de janeiro a abril, houve uma retração de 41,5% nas vendas para o país, apesar de o café verde, que representa mais de 90% dos embarques, não serem taxados desde novembro do ano passado", detalhou Matos.
Entretanto, o café verde não deixou de ser ameaçado, lembra o presidente do Cecafé, em razão de uma denúncia envolvendo questões trabalhistas na cafeicultura, o que ele classifica como "uma grande distorção e um erro de comunicação".
"Ainda temos uma denúncia contra trabalho forçado e degradante na alfândega dos Estados Unidos, que edita uma norma específica que pune o país", diz. Em paralelo, a entidade com o Ministério do Trabalho tentam comprovar a sustentabilidade social do trabalho na cadeia do café.
O momento é sensível para análise, já que o Brasil está no início da colheita da safra 2026/27 e ainda não tem um número de disponibilidade do grão para negociação e, portanto, não está na etapa competitiva das vendas entre os players mundiais.
A ABICS e National Coffee Association continua em parceria com Cecafé para fazer uma representação com as autoridades americanas para conseguir driblar uma potencial sobretaxa maior.
A BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais), diante desse novo cenário apresentado pelo USTR, manifestou preocupação com os impactos na indústria de café solúvel brasileira e as consequências ao longo de toda cadeia de valor do café nacional, com restrições de comércio.
Com isso, afirmou, em nota, que irá manter o "contato constante" com os parceiros e governo brasileiros, bem como com os pares norte-americanos, a fim de "ajudar a esclarecer toda e qualquer dúvida que possibilite um cenário de isenção a todos os tipos de café do Brasil".
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