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Brasil fica fora do "grupo de elite" de IA no mundo; veja países líderes

Índice internacional avalia anualmente capacidade dos países de implementar, desenvolver e governar tecnologias de inteligência artificial


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O Brasil ficou de fora do "grupo de elite" de países com prontidão para a inteligência artificial, em um dos rankings internacionais mais importantes sobre o tema no mundo.

O Government AI Readiness Index, elaborado pela Oxford Insights, avalia anualmente a capacidade dos países de implementar, desenvolver e governar tecnologias de IA. Na edição mais recente divulgada nesta semana, o Brasil aparece na 22ª posição global, logo atrás de Estônia e Áustria.

O levantamento considera dezenas de indicadores relacionados à estratégia governamental, ambiente de inovação, disponibilidade de talentos, infraestrutura digital, conectividade e acesso a dados.

Entre os líderes da "elite" da inteligência artificial no mundo estão Estados Unidos, Singapura, Reino Unido, França e Canadá, países que concentram alguns dos principais laboratórios, centros de pesquisa, investimentos e empresas responsáveis pelos avanços mais recentes em inteligência artificial. Veja o ranking:

• Estados Unidos: 88,36

• França: 80,81

• Reino Unido: 77,75

• Holanda: 77,18

• Coréia do Sul: 76,89

• Alemanha: 76,78

• Singapura: 76,42

• China: 76,27

• Austrália: 75,73

• Noruega: 74,84

Segundo o estudo, os países mais preparados para governar a inteligência artificial são, em grande medida, os mesmos que lideram sua criação e evolução.

Os dados da consultoria independente Oxford Insights, que integra o ecossistema intelectual da Universidade Oxford, mostram que o Brasil ocupa uma posição intermediária no cenário global.

Com pontuação geral de 69,55, o país supera com folga a média latino-americana (35,20), mas permanece distante dos Estados Unidos (88,36), líder do ranking.

O Brasil apresenta resultados robustos em indicadores ligados à formulação de políticas públicas, digitalização do governo e conformidade regulatória. Ao mesmo tempo, registra desempenho inferior em áreas consideradas decisivas para a próxima fase da inteligência artificial, como capacidade computacional, maturidade do setor privado de IA e formação de talentos especializados.

O ranking mostra que liderança em inteligência artificial depende de uma combinação complexa de fatores que envolvem políticas públicas, investimentos privados, infraestrutura tecnológica, formação de talentos e capacidade de atrair empresas inovadoras.

Especialistas: risco e oportunidade

Empresários do mercado de inteligência artificial no Brasil afirmam que problemas na regulação atual podem ser um problema, mas que o país tem um caminho muito importante para explorar no setor. 

Para Felipe Matos, CEO da aceleradora de inteligência artificial 10k Digital, uma proteção excessiva a direitos autorais pode inviabilizar o uso de modelos de IA que tenham utilizado dados de obras protegidas. 

"É tecnicamente impossível garantir, no momento do treinamento, que cada página, parágrafo ou frase esteja livre de proteção autoral. A internet não vem com rótulo". Matos ainda alerta para consequências diretas para companhias especializadas. "As empresas de IA que quisessem operar legalmente no Brasil teriam que retreinar modelos específicos para o nosso mercado, com bases de dados reduzidas, previamente auditadas e certificadas como livres de direitos".

O especialista enfatiza três resultados ruins de uma legislação cada vez mais dura:

• Modelos treinados com menos dados, em menos línguas e com menos diversidade de contextos são, por definição, menos capazes;

• Enquanto o mundo estaria no "GPT-6", o Brasil usaria uma espécie de "GPT-4-BR", uma versão provinciana de uma tecnologia global;

• Com menos competição e mais custos específicos para atender o mercado brasileiro, o preço dos modelos tenderia a subir.

Já Guilherme Freire, CEO da Dolado, agência especializada em IA, ressalta que pequenas empresas seriam as mais prejudicadas por obstáculos regulatórios. "Regulação malfeita espanta dinheiro e talento, e a conta pesada de 'estar dentro da lei' sempre sobra para os menores".

Porém, Freire afirma que não seriam criados modelos menos avançados de IA no Brasil por insegurança jurídica. A questão é o tempo.

"O que acontece na vida real quando um país cria insegurança jurídica é que as empresas lançam os modelos aqui mais tarde, as funcionalidades demoram a ser lançadas e o custo para o usuário final fica mais alto. Ou, em casos extremos, o modelo simplesmente não é lançado. O risco real não é ter uma IA "burra". É a IA não chegar ou chegar atrasada e elitizada". 

O empresário afirma, ainda por outro lado, que o Brasil tem uma grande janela de oportunidade na disputa sobre quem gera e quem captura valor. "O país que conseguir criar os 'trilhos' dessa nova economia, rastreando quem foi usado, por quem e como é remunerado, não vai ficar assistindo a nada da arquibancada. Vai ser o lugar que resolveu o problema mais cascudo desta década."


cnnbrasil


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