O dólar registrou leve queda de 0,10% frente ao real, cotado a R$ 4,99, nesta sexta-feira (24/4). Como a variação foi pequena, na prática, ela indica estabilidade no câmbio. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em baixa de 0,33%, aos 190,7 mil pontos. Esse foi o quarto recuo seguido do indicador.
A guerra no Oriente Médio, que está prestes a completar dois meses (começou em 28 de fevereiro), segue como o principal vetor dos mercados de câmbio e ações em todo o mundo. Nesta sexta-feira, as notícias vindas desse front foram razoavelmente positivas. Elas trouxeram sinais de continuidade nas negociações entre Estados Unidos e Irã, além da extensão do cessar-fogo na região.
Nesse contexto, o dólar enfraqueceu. Às 16h40, o índice DXY, que mede a força da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), recuava 0,30%, aos 98,33 pontos.
Em Wall Street, aumentou entre investidores o apetite por ativos de risco, ainda que parcialmente. Entre os principais índices de Nova York, às 16h45, o S&P 500 subia 0,72% e o Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia, avançava 1,52%. Já o Dow Jones caía 0,21%, ainda dentro de um quadro de estabilidade.
Na Europa, porém, prevaleceram as baixas. O Stoxx 600, que reúne empresas de 17 países do continente, recuou 0,58%. Em Londres, o FTSE 100, caiu 0,75% e, em Frankfurt, o DAX baixou 0,11%. No acumulado da semana, essas bolsas perderam, respectivamente, 2,54%, 2,70% e 2,32%.
Petróleo oscila
A cotação do petróleo, contudo. ofereceu uma trégua, embora parcial. O barril da commodity para junho do tipo Brent, a referência para o mercado mundial, anotou alta de 0,24%, a US$ 105,33. Já o West Texas Intermediate (WTI, que regula o mercado americano), também para junho, baixou 1,15%, a US$ 94,40 por barril.
Os investidores também acompanharam nesta sexta-feira a divulgação dos dados da pesquisa sobre a confiança do consumidor americano, reunidos pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. Em abril, o índice caiu ao menor nível da série, à medida que a guerra no Oriente Médio fomentou temores sobre o aumento da inflação.
Análise
Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o movimento de queda do dólar refletiu um ambiente externo mais benigno. A perspectiva de continuidade nas negociações entre EUA e Irã e a ampliação do cessar-fogo ajudaram a reduzir o prêmio de risco geopolítico, enquanto a queda nos rendimentos de curto prazo dos Treasuries (os títulos da dívida americana) enfraqueceu o DXY.
"No Brasil, o movimento foi acompanhado pelo fechamento da curva de DI (juros futuros), reforçando algum alívio nas expectativas de juros", diz o analista. "O cenário externo acabou prevalecendo nesta sexta, resultando em um dólar em queda, devolvendo ganhos do dia anterior."
Ibovespa
Bruno Perri, da Forum Investimentos, o Ibovespa caiu num movimento de aprofundamento da correção do mercado local, iniciado há alguns pregões, depois da renovação de máximas históricas. Ele observa que a queda foi aprofundada pelo setor de petróleo e gás, que recuou com os preços do petróleo e as perspectivas de uma nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã.
"Por outro lado, há otimismo no mercado americano por conta da sinalização de novas tentativas de acordo entre Washington e Teerã, com o envio de Jared Kushner, genro do presidente Trump, ao Paquistão, para conversas com ministros iranianos", diz Perri.
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