O Tribunal do Júri de Ariquemes condenou, nesta quinta-feira (23), Matheus Vitor a 11 anos, 1 mês e 10 dias de prisão, em regime inicial fechado, pelo assassinato do pecuarista Nelson Alexandre Santos Mello, conhecido como "Xandy do Motocross". O crime ocorreu em fevereiro de 2025, em um posto de combustíveis do município.
Após a decisão dos jurados, o juiz Vitor Marcellino Tavares da Silva determinou o cumprimento imediato da pena, seguindo o entendimento mais recente do Supremo Tribunal Federal (STF), que autoriza a execução da condenação imposta pelo Tribunal do Júri.
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu que o crime foi cometido na forma de homicídio qualificado-privilegiado. Os jurados acolheram circunstâncias que agravaram a conduta do réu, mas também entenderam que ele agiu sob forte emoção, após provocação da vítima, fator que resultou na redução da pena.
A defesa sustentou, ao longo do julgamento, a tese de legítima defesa. Após o encerramento da sessão, os advogados afirmaram que respeitam a decisão do júri, embora discordem do resultado. Eles destacaram que o reconhecimento da reação sob forte emoção demonstra que os jurados consideraram a provocação sofrida por Matheus antes do crime.
Denúncia do Ministério Público
O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) denunciou Matheus por homicídio qualificado. Conforme a denúncia apresentada pela 5ª Promotoria de Justiça de Ariquemes, o órgão apontou três qualificadoras: motivo torpe, emprego de meio que gerou perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima.
As investigações apontaram que o acusado, morador de Porto Velho, percorreu aproximadamente 200 quilômetros até Ariquemes portando uma arma de fogo. Segundo a apuração, ele e Nelson marcaram um encontro em um posto de combustíveis, local onde ocorreram os disparos que resultaram na morte do pecuarista.
Relembre o caso
Nelson Alexandre Santos Mello, de 30 anos, conhecido como "Xandy do Motocross", foi morto a tiros em fevereiro de 2025, em um posto de combustíveis de Ariquemes. Imagens de câmeras de segurança registraram toda a ação.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima entrou no posto com seu veículo e posicionou o carro de forma a impedir a saída do automóvel conduzido por Matheus. Em seguida, Nelson caminhou em direção ao veículo. Nesse momento, o motorista abaixou o vidro e efetuou os disparos.
O pecuarista chegou a ser socorrido e encaminhado ao Hospital Regional de Ariquemes, mas não resistiu aos ferimentos.
Logo após o crime, Matheus apresentou-se espontaneamente na Unidade Integrada de Segurança Pública (Unisp), confessou ter efetuado os disparos e entregou a arma utilizada.
Na ocasião, ele foi autuado apenas por porte ilegal de arma de fogo e acabou liberado após o pagamento de fiança. Segundo a Polícia Civil, naquele momento não havia elementos suficientes para manter a prisão em flagrante pelo homicídio, diante dos indícios iniciais que apontavam para uma possível legítima defesa.
As investigações também indicaram que a motivação do crime estaria relacionada a uma questão amorosa, conforme informou o delegado responsável pelo caso na época.
Prisão preventiva durante as investigações
Meses após o homicídio, Matheus voltou a ser preso preventivamente. A nova prisão foi decretada após a Polícia Civil concluir outro inquérito que apontou que o investigado estaria procurando e ameaçando pessoas ligadas ao processo.
Durante a operação, a Delegacia Regional de Ariquemes cumpriu um mandado de prisão e outro de busca e apreensão no município. Simultaneamente, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Rondônia, realizou o cumprimento de dois mandados de busca e apreensão em Porto Velho.
Portal SGC