Eleições

MP Eleitoral alinha estratégias de fiscalização e combate à influência do crime organizado nas Eleições 2026

Encontro tratou sobre o uso de ferramentas de inteligência e articulação institucional para barrar candidaturas ligadas a facções criminosas


Imagem de Capa

Instagram Facebook Youtube Twitter

ACESSE NOSSAS REDES SOCIAIS
PUBLICIDADE

Procuradores que atuam na fiscalização das eleições deste ano em todo o país se reuniram, na última semana, para alinhar estratégias de trabalho. O objetivo é combater a influência de organizações criminosas na disputa e evitar outros tipos de abuso. O encontro on-line foi coordenado pelo Grupo Executivo Nacional da Função Eleitoral (Genafe), que é vinculado à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE).

Durante a reunião, o coordenador nacional do Genafe, Luiz Carlos Gonçalves, ressaltou a importância do encontro para troca de experiências e preparação institucional antes do período de convenções partidárias e registros de candidatura. Segundo ele, o combate à influência do crime organizado nas eleições e à violência política contra as mulheres, bem como o enfrentamento da desinformação, são prioridades do MP Eleitoral este ano.

Trabalho conjunto - Uma das frentes de trabalho será fortalecer o diálogo com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a Polícia Federal e os Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos) do Ministério Público Federal (MPF). A ideia é que informações de inteligência possam auxiliar os procuradores eleitorais na identificação de eventuais conexões com o crime organizado. O objetivo é subsidiar as apurações e possibilitar que o Ministério Público entre com ações para barrar as candidaturas que tenham ligação com facções criminosas.

No ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolidou jurisprudência no sentido de proibir a candidatura de integrantes de organizações paramilitares ou similares. A norma está prevista na Constituição Federal e busca impedir a interferência direta ou indireta de grupos criminosos organizados no processo eleitoral.

No início deste ano, o MP Eleitoral instituiu o Grupo de Trabalho (GT) de Combate ao Crime Organizado no Âmbito Eleitoral, que prepara orientações técnicas para auxiliar membros em todo o país nas eleições deste ano. Na próxima semana, o GT vai promover uma capacitação para servidores e procuradores sobre ferramentas e técnicas de investigação que podem auxiliar na fiscalização. A ideia é não só barrar candidatos ligados a facções, como evitar o financiamento de campanhas por grupos criminosos.

No ano passado, o MP Eleitoral conseguiu barrar no TSE o registro de candidatos a vereador, nas eleições de 2024, em municípios do Rio de Janeiro, por envolvimento com grupos criminosos. Segundo o coordenador do Genafe, essa troca de experiências e preparação institucional antes do período de convenções partidárias e registros de candidatura é fundamental para fortalecer o trabalho de fiscalização do Ministério Público e evitar abusos que possam interferir na escolha livre do eleitor.

Alinhamento institucional - Durante o encontro, os participantes também discutiram ferramentas de apoio à atuação eleitoral, como o Sisconta - que auxilia na identificação de candidatos que estão impedidos de concorrer e de irregularidades no financiamento de campanha. Além disso, foi criado um canal direto de comunicação entre a PGE e os procuradores regionais eleitorais, para que eles comuniquem sobre casos importantes e complexos iniciados nos estados, mas que acabaram chegando ao TSE em razão de recursos apresentados. Isso porque cabe ao procurador-geral Eleitoral atuar nas ações em trâmite no TSE.

Outro tema abordado foi a preservação de provas digitais, que são usadas em ações relacionadas a propaganda irregular, violência política contra as mulheres, combate à desinformação, entre outras. Para que tais provas tenham validade jurídica, elas precisam ser captadas e preservadas com base em uma série de procedimentos que garantam a autenticidade e a integridade do material.

A medida é considerada essencial diante da rapidez com que conteúdos podem ser alterados ou removidos da internet. Os membros discutiram procedimentos para coleta e conservação desses elementos, além de ferramentas que podem contribuir para garantir segurança jurídica às evidências utilizadas em investigações eleitorais.

MPF


NOTÍCIAS RELACIONADAS

Mais lidas de Eleições veja mais
Últimas notícias de Eleições veja mais