A pecuária leiteira em Rondônia enfrenta uma das maiores crises dos últimos anos. Em Ji-Paraná, o produtor rural Éder Souza Soares, que trabalha com gado de leite e de corte na Linha 207, Km-16, sente os impactos diretos da queda no preço pago pelo leite.
Com animais da raça girolando, Éder produz cerca de 400 litros de leite por dia. No entanto, a atividade se tornou financeiramente inviável. O último pagamento recebido foi de apenas um real e setenta centavos por litro, valor abaixo do custo de produção.
"O produtor está se endividando, não consegue pagar seus compromissos. Do jeito que está, fica impossível continuar só com o leite", disse.
Além do preço baixo, os produtores reclamam da demora no pagamento, que em Rondônia é feito mensalmente, enquanto em outros estados ocorre a cada quinze dias.
Para Éder, a sobrevivência da atividade depende de políticas públicas voltadas ao homem do campo, como a redução da carga tributária sobre insumos, combate à concorrência desleal e ampliação de programas institucionais, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar. Segundo ele, o preço ideal para atender esses programas seria em torno de dois reais e cinquenta centavos o litro.
Diante da crise, o produtor investe na diversificação da renda, buscando agregar valor ao leite por meio de cooperativas e também apostando na agroindústria de polpa de frutas.
A situação preocupa lideranças sindicais. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Ji-Paraná, Márcio Porto, alerta para o impacto social da queda da atividade leiteira no estado.
Já o presidente da Fetagro, Manoel Carlos, aponta que a crise é agravada pela concorrência com o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai, além do alto custo de produção, que em algumas propriedades chega a dois reais por litro. "Rondônia já produziu mais de quatro milhões de litros de leite por dia. Hoje não chega a um milhão. O rebanho diminuiu muito e o estado corre o risco de um colapso na pecuária leiteira", relatou.
Em 2025, o litro do leite chegou a ser vendido por até três reais, mas o preço caiu ao longo do ano e terminou abaixo de dois reais. A queda ameaça a permanência de milhares de famílias no campo e coloca em risco uma das principais atividades econômicas do estado.
Leandro Pereira/Portal SGC